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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Sobre o debate entre os candidatos ao Governo do RS

Me atrevo a escrever algumas palavras sobre o debate de ontem a noite na TV Bandeirantes. Pelo pouco que consegui acompanhar da repercussão dos debates entre os governadores de todo o país, o PSOL teve presença marcante em vários deles, foi assim com Edilson em Pernambuco, Marcos Mendes na Bahia, Paulo Bufalo em São Paulo, Jeferson no Rio de Janeiro, entre outros.

No primeiro debate entre os presidenciáveis, semana passada na mesma emissora, Plínio de Arruda Sampaio fez uma afirmação que explica o porquê do protagonismo do PSOL: todos dizem que vão fazer o bem e que não vão fazer o mal, e isto é óbvio, é necessário superar esta obviedade e tratar os problemas como eles realmente são.

No debate entre os candidatos ao Governo do Rio Grande do Sul ontem, Pedro Ruas foi o diferencial exatamente por isso. A urgência de maiores investimentos em saúde, o combate às desigualdades sociais, a retomada de uma educação de qualidade no Estado, o ataque ao crime organizado, a redução das desigualdades regionais e mais alguns temas são absolutamente óbvios.

A superação da obviedade por parte de Pedro Ruas se dá justamente a partir da exposição dos dois eixos programáticos do PSOL: o combate à corrupção e a auditoria na dívida do Estado com o Governo Federal. É exatamente daí que seriam disponibilizados os recursos para os investimentos tão urgentes no Estado. (veja o programa do PSOL-RS em http://tinyurl.com/3agbgnb)

A partir da exposição dos eixos programáticos, é necessário chamar os demais candidatos a este debate, e foi exatamente o que fez Pedro Ruas. Ao contrário dos desejos mais íntimos da Governadora Yeda Crusius, se depender do PSOL, não passará um debate em que esta não terá de se explicar sobre o rombo nos cofres públicos durante seu governo, comprovado por operações da Polícia Federal e pelo Ministério Público.

Assim como não passará ileso José Fogaça, sem ser perguntado sobre o motivo de sua negativa em instalar a CPI da saúde em Porto Alegre, visto que é obrigação de um Governante combater a corrupção, defendendo as investigações, principalmente em casos como este, com inúmeros indícios de fraude e a suspeita de assassinato do Secretário de Saúde.

Ainda sobre a saúde Pedro Ruas trouxe ao debate o tema da regulamentação da emenda 29, que obriga os Governos a aplicarem 12 % do orçamento na saúde, perguntando a Tarso Genro porque o Governo de Lula, do PT de Tarso, do PMDB de Fogaça e do PP da chapa de Yeda esta impedindo a regulamentação da emenda. Tarso fugiu pela velha desculpa da correlação de forças entre os Partidos no Congresso Nacional, que “curiosamente” só serve para explicar os casos em que o povo é prejudicado.

Ruas aproveitou também o debate para demonstrar as contradições das alianças inexplicáveis nos processos eleitorais, que nada tem de confluência de idéias, realizadas apenas para garantir mais tempo de rádio e TV e partilhar os cargos em um futuro Governo.

Pedro Ruas foi a cara do PSOL, o diferencial do debate, como tem sido desde o início do processo eleitoral e continuará sendo até o final. O voto da esquerda é 50! 50 é PSOL!

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Breves considerações sobre o primeiro debate entre os candidatos ao Governo do RS

Estamos envolvidos em uma grande correria nesta largada de campanha. Ontem começamos oficialmente, com caminhada em Porto Alegre. Na parte da manhã ocorreu o primeiro debate entre os candidatos ao Governo. Participaram José Fogaça, Tarso Genro e o nosso candidato Pedro Ruas.

De última hora a atual Governadora Yeda Crusius anunciou que não iria ao debate, mesmo após sua assessoria ter participado das reuniões que definiram as regras do mesmo. A ausência de Yeda foi determinante, demonstrando a insegurança da Governadora em defender seu próprio desgoverno. Há quem afirme que Yeda não participará de debates em que Pedro Ruas seja convidado, um claro mecanismo de pressão para que os veículos promotores dos debates retirem o PSOL da disputa.

O fato é que Pedro Ruas, Luciana Genro e o conjunto do PSOL foram os principais opositores ao trágico Governo Yeda, nosso Partido vem se consolidando como uma alternativa para um conjunto da população e seria ridículo Ruas ficar de fora de qualquer debate. Se Yeda e sua turma pensam em tirar o PSOL dos principais momentos de enfrentamento entre os candidatos, é melhor mudarem de idéia, visto que até a colunista de ZH Rosane de Oliveira publicou em seu Twitter após o debate que não sabia quem havia ganhado o debate, mas que certamente Yeda havia perdido, visto que foi várias vezes atacada por Pedro Ruas e não estava lá para se defender.

Se Rosane de Oliveira não sabe quem ganhou o debate, podemos ajudá-la, afirmando que Pedro Ruas foi o vencedor. Nosso Candidato foi seguro ao apresentar o programa do PSOL, tratando de relacionar os eixos - combate a corrupção e a dívida do Estado com a União - com as necessidades básicas da população, como saúde, educação, segurança pública, melhorias nas estradas, entre outros.

Além de propor Pedro Ruas foi incisivo em colocar em xeque as demais candidaturas, questionando a corrida sem critérios por alianças eleitorais no período pré-campanha, as responsabilidades do PT de Tarso com a sangria dos cofres do RS para o pagamento da dívida com a União e o envolvimento da Prefeitura de Porto Alegre durante a gestão Fogaça em escândalos de corrupção na área da saúde.

Foi o primeiro debate e estamos apenas começando a campanha, mas como sempre, mostramos que não viemos “a passeio”, tenho o prazer de ter participado da construção do PSOL desde o início, de começar a batalha na campanha de Pedro Ruas e pela fundamental reeleição da Deputada Federal Luciana Genro. Começamos uma nova batalha, que é árdua, mas extremamente necessária e justa!

sexta-feira, 25 de junho de 2010

E se o Lenin tivesse Twitter?

O país está novamente paralisado assistindo a Copa do Mundo de futebol. Nada de diferente, a cada 4 anos é assim. Mesmo com a tragédia no Nordeste causada pelas chuvas e pela irresponsabilidade dos governantes, o máximo que ocorreu foi um divisão no tempo do noticiário entre a Copa e o Nordeste.

Há no entanto uma diferença interessante na cobertura da Copa da África. A relação entre o técnico da Seleção Brasileira Dunga e a Rede Globo é bastante conturbada, o pico da briga foi no último domingo a noite, após o jogo do Brasil com a Costa do Marfim, o técnico se desentendeu com um jornalista da Globo, dizendo-lhe diversos palavrões.

A resposta da Rede Globo foi imediata: no Programa Fantástico o jornalista Tadeu Schmidt (um dos mais carismáticos da emissora) foi ao ataque contra Dunga, tratando de afirmar que tal comportamento não era compatível com o de um técnico da seleção e que a situação não poderia continuar.

Quem conhece um pouco a influência da Rede Globo no Brasil pode ter pensado que começava ali o “ataque final” contra o técnico, tudo indicava que já na segunda feira pela manhã Dunga sofreria ataques até nos programas sobre culinária.

Não foi assim. Depois do Programa Fantástico, a Rede Globo pouco ou nada comentou sobre o episódio. Fui procurar alguma resposta para isso e encontrei uma hipótese, que me parece bem razoável. No mesmo domingo à noite, minutos depois de acabar o programa que tinha atacado o técnico, o tópico mais comentado no Twitter Brasil era “Cala a boca Tadeu Schimidt”. Tinha se formado uma clara rede de apoio ao técnico, um contra-ataque imediato à emissora mais assistida no país.

Talvez a minha hipótese esteja errada, pode a Rede Globo não ter continuado a briga porque não quis confundir uma briga com o técnico com uma briga com a seleção – um patrimônio nacional – ou por qualquer outro motivo. Mas o “Cala a boca Tadeu Schimidt” é realmente algo forte, “articulado” no Twitter, que nas últimas semanas já se mostrou um excelente mecanismo de pressão nos parlamentares para a aprovação do Projeto Ficha Limpa.

Em tempos de poucas mobilizações nas ruas, o Twitter parece ter substituído a forma como a classe média se manifesta. Não creio que a internet e as inúmeras redes sociais possam servir de padrão para as mobilizações, a maioria da população não tem acesso à rede mundial de computadores, e ainda acredito que o bom e velho “bafo na nuca” seja mais eficiente. Por outro lado, é inegável que as ferramentas virtuais podem ser interessantes. Neste momento por exemplo, o PSOL está organizando através no Twitter doações para as vítimas da tragédia no Nordeste, o que pode dar bons resultados.

Ainda sobre a Copa do mundo, a Rede Globo e o Twitter: está sendo organizado pela internet o “Dia sem Globo” para esta sexta feira. É um convite para que o povo assista ao jogo contra Portugal em outra emissora, mais uma parte da rede de apoio ao Dunga. Se der certo será muito mais Fantástico que o programa de domingo à noite, um golpe na emissora que controla a comunicação no Brasil. Numa dessas, só consigo me perguntar: e se o Lenin tivesse Twitter?

quinta-feira, 10 de junho de 2010

A necessidade de um programa para a Zona Sul do RS

No início desta semana fomos convidados para participar do lançamento da campanha “Acorda Zona Sul”, organizada pela Associação dos Municípios da Zona Sul do Estado. O objetivo da campanha é convencer os eleitores da Região a votarem em candidatos daqui nas eleições de Outubro.

Fomos até lá, eu e o camarada Maicon Nachtigall, pré-candidato à Deputado Federal pelo PSOL, para observar a atividade e compreender melhor seus objetivos. Quando recebi o convite logo me questionei sobre a existência de um programa político para a ZS defendido pelos organizadores do evento.

Durante a atividade me pareceu nítido que o objetivo é exatamente eleger parlamentares vinculados às cidades da ZS, anulando o debate programático ou partidário. Os números de fato demonstram que a região tem uma sub-representação na Assembléia Legislativa e na Câmara Federal, nas eleições de 2006, um total de 600 mil eleitores elegeu apenas dois Deputados Estaduais.

O que não me parece possível e debater a necessidade de a região ter representação política e se desenvolver, sem relacionar este debate com a necessidade de um programa, afinal de conta há diversos projetos e possibilidades neste campo, muita delas completamente contraditórias.

Tenho absoluta certeza de que em um pequeno texto não seja possível esgotar o conjunto de necessidades da região, nem as possíveis propostas para a retomada do desenvolvimento da Zona Sul do RS. No entanto, tenho convicção de que os postulantes a cargos legislativos ou executivos têm a obrigação de apresentar suas idéias sobre o tema.

É neste sentido que o PSOL tem se debruçado no debate sobre a estagnação da Zona Sul do Estado. Nas eleições de 2008 em Pelotas apresentamos posição contundente contra a instalação da monocultura de eucalipto e das empresas de celulose na Região. Empresas estas que aos primeiros sinais da crise econômica mundial em 2008 abandonaram seus projetos na região, deixando apenas a monocultura instalada anteriormente e seus impactos ambientais e sociais, sem gerar um décimo das oportunidades de emprego prometidas.

Esta experiência deve nos fazer refletir sobre o modelo de desenvolvimento historicamente proposto pelos setores tradicionais e as suas claras limitações. Há muito tempo vende-se a idéia de que o desenvolvimento da região passa pela atração de grandes empresas, que vão gerar muitos empregos e resolver em definitivo o problema da estagnação.

Ora, nem precisamos de uma análise histórica muito profunda para perceber o fracasso desta linha de raciocínio. Além do exemplo das empresas de celulose temos nas últimas décadas o das indústrias de conserva. Tais indústrias geraram empregos durante uma etapa, tanto diretos, quanto indiretos, em especial na agricultura, que tinha grande parte de sua produção voltada para abastecer estas empresas. Quando a atividade deixou de ser rentável para os empresários, estes simplesmente migraram para outras regiões.

A saída para a região é justamente a diversificação de atividades econômicas, sem que tenhamos uma extrema dependência de um ou outro ramo da indústria ou empresário. Temos aqui inúmeras potencialidades a serem exploradas.

O fortalecimento da pequena agricultura, com o desenvolvimento de pequenas agroindústrias e do comércio local é um caminho inicial, tais atividades geram muito mais empregos do que a agricultura latifundiária e grandes empresas. É dever de um parlamentar da região cobrar dos governos políticas públicas que contemplem este tema. Incentivos fiscais para tais atividades e assistência técnica pública a partir de uma EMATER redimensionada são passos iniciais urgentes.

A realização de auditoria séria nas dívidas do Estado com a União e o combate implacável à corrupção permitiriam que o Estado realizasse um investimento pesado em serviços públicos essenciais como saúde e educação. Desta forma poderíamos caminhar no sentido de solucionar a situação caótica da saúde pública, que afeta a grande maioria da população, desprovida de plano de saúde ou possibilidade de consultas e procedimentos médicos particulares. Nesta mesma medida, estaríamos gerando empregos nas áreas médica e educacional, em que temos abundância de formação profissional na região.

O fortalecimento do potencial cultural da região é também uma ferramenta de desenvolvimento. Podemos citar os exemplos do Carnaval Pelotense e do Grupo Tholl, como referências sob este aspecto. Tais iniciativas alcançaram reconhecimento nacional e a partir do envolvimento da comunidade possibilitam a existência de perspectivas para um grande número de pessoas, por méritos daqueles que idealizaram e se esforçaram em sua construção. As iniciativas culturais consagradas da região devem ser tratadas com o seu devido respeito, e não como um mero palanque eleitoral, sendo apoiadas às vésperas de eleições.

Temos muito o que tratar sobre o programa e as possibilidades de desenvolvimento da Zona Sul do Estado. De nossa parte colocamos alguns pilares, que passam pela diversificação de atividades e pela necessária sustentabilidade econômica, social e ecológica das mesmas. O que não aceitamos é a mera disputa eleitoreira, sem programa ou comprometimento político com absolutamente nada, permitindo que o “estelionato eleitoral”corra solto e alegre.

terça-feira, 1 de junho de 2010

CARAS NOVAS. NOMES NOVOS OU VELHOS, MAS A POLÍTICA CONTINUA A MESMA

O Vereador Pelotense Eduardo Macluf do PP acaba de colocar seu nome à disposição do Partido para disputar a vaga de Vice-Governador na chapa de Yeda Crusius. Eduardo é parte da “nova geração” da política na cidade, filho de Mansur Macluf, que ocupou o cargo de Vereador em Pelotas por mais de 35 anos.

Há na cidade certo processo de renovação de figuras políticas, representado por jovens que ocupam cadeiras na Câmara de Vereadores e outros que se postulam como figuras públicas em seus Partidos.

O PSOL quer debater os rumos da renovação na política em Pelotas e na Região. Afinal de contas passamos por um profundo processo de estagnação econômica, e nos parece muito correto afirmar que tal estagnação é de responsabilidade de sucessivas políticas equivocadas, centradas na atração de grandes empresas como único modo para a retomada do desenvolvimento.

É neste sentido que compreendemos que a renovação política não deve ocorrer apenas a partir da idade menos avançada dos postulantes a cargos executivos ou legislativos. Necessitamos de uma renovação de idéias, projetos, métodos, para que possamos inverter o quadro de desemprego, violência e falta de perspectiva para o conjunto da população.

Sobre o tema da renovação temos um exemplo contundente em nível estadual, Yeda Crusisus elegeu-se em 2006 com o slogan “Um novo jeito de governar”. Durante três anos e meio, observamos o que há de mais velho na política: corte em investimentos sociais como saúde e educação para o pagamento de dívidas com a união e com os bancos, truculência com os movimentos sociais, bombásticos escândalos de corrupção, entre outros.

Ora, este “novo jeito de governar” não nos serve. O retrato da rejeição a este modelo está em todas as pesquisas de opinião, onde o Governo comandado pelo PSDB aparece com os piores índices de avaliação em toda a história do Rio Grande.

O PSOL foi voz forte na oposição ao Governo de Yeda Crusius. Efetuamos denúncias contundentes e organizamos mobilizações nas ruas. Durante este processo tivemos o privilégio de ter como um de nossos porta-vozes o Vereador de Porto Alegre Pedro Ruas, hoje nosso pré-candidato ao Governo do Estado.

Pedro Ruas tem mais de 50 anos de vida e mais de 30 anos de política, não é na idade que demonstra a renovação, é no projeto de um Rio Grande sem corrupção e sem privilégios para banqueiros, empresários e latifundiários, com emprego, saúde e distribuição de renda.

Concordamos com a idéia de renovar a política também em nossa cidade e em nossa região. Certamente, tal renovação não passa por postular cargos na chapa de Yeda Crusius, responsável pelo mais trágico Governo da história do Rio Grande do Sul.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Ainda sobre "famosos engajados"

A notícia do encontro de Luciana Genro e Wagner Moura me fez lembrar de algumas conversas que já tive sobre o tema do engajamento dos famosos no Brasil.

O Wagner Moura mesmo é um caso raríssimo. Tive a oportunidade de assistir uma entrevista com ele dia destes. De fato, conforme relata nossa Deputada, ele acompanha as questões sociais, a política, tanto que conhece e admira a Luciana.

Infelizmente os exemplos de famosos engajados são muito poucos. Em outro programa de entrevistas assisti vários artistas comentando entre a diferença de engajamento de famosos nos anos 70 e 80 e os nossos tempos. Todos eles concluiram que "esta fora de moda" o engajamento, algo profundamente lamentável na minha opinião.

Eu sempre prestei atenção neste tema, me agrada e muito o fato de termos artistas engajados. Neste sentido sempre tive na Banda O Rappa uma referência, pelos que tratam nas letras das músicas e pelo seu certo engajamento extra palco.

Embora O Rappa tenha se modificado significamente após a saída do Marcelo Yuka (que hoje inclusive é filiado ao PSOL), acredito que ainda seja um grupo que trata de temas importantes, e que consegue espaço para estes temas, trazendo pessoas que nunca pensaram sobre os reais motivos da violência urbana, por exemplo, à reflexão.

Outro famoso engajado que nos orgulha muito ter vindo para o PSOL foi o ganhador do BBB Jean Whilis. Homossexual assumido, aproveitou toda a sua exposição pública para divulgar suas bandeiras, é nosso pré-candidato à Deputado Federal no RJ.

Infelizmente a lista de famosos engajados é escassa nos anos 2000. Quando chego a esta conclusão sempre me lembro de uma oportunidade que tive em 2005, de participar da Cúpula dos Povos, em Mar del Plata, Argentina. A Cúpula dos Povos era uma evento paralelo à Cúpula das Américas, que reuniria os Presidentes dos países de toda a América.

Na programação da Cúpula dos Povos havia uma grande marcha, uma manifestação contra o imperialismo norte-americano, para demonstrar que o Presidente dos EUA (à época George W. Bush) não era bem-vindo.

Quando estávamos a caminho de Mar del Plata recebemos uma notícia que caiu como uma bomba: ao lado do Presidente Venezuelano Hugo Chavez, na direção da marcha, estaria ninguém menos que Diego Maradona. O camarada Israel Dutra estava comigo e a primeira coisa que imaginamos foi uma marcha no Brasil, contra Bush, em que Pelé estivesse na "linha de frente", seria um estouro, mas infelizmente como sabemos, coisas deste tipo no Brasil, só na nossa imaginação.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Wagner Moura: famoso e engajado

Repasso aqui notícia do blog da nossa Deputada Federal Luciana Genro.

Wagner Moura: famoso e engajado
27/05/2010

Em audiência com o presidente da Câmara ontem, fizemos a entrega das mais de 240 mil assinaturas em favor da votação da PEC 438 que determina a expropriação das terras onde for flagrado trabalho escravo. Ali tive a oportunidde de conhecer o ator Wagner Moura, que fez o Capitão Nascimento no filme Tropa de Elite. Ele tem sido uma espécie de padrinho da PEC, junto com o Movimento Humanos Direitos. Agora o diretor José Padilha está finalizando o Tropa de Elite 2, que conta a história de um deputado que luta contra as milícias no Rio de Janeiro, e para isso tem ajuda do Capitão Nascimento, agora fora da polícia. O personagem é inspirado no deputado do PSOL Marcelo Freixo, que comandou a CPI das Milícias na Assembleia Legislativa do Rio. Conhecendo Wagner Moura pessoalmente podemos comprovar que ele é mesmo um grande ator, pois seu estilo é totalmente diferente do Capitão Nascimento. Uma pessoa muito doce. Também fiquei orgulhosa pois ele disse que conhece e admira o meu trabalho!

A PEC do trabalho escravo foi aprovada em primeiro turno na Câmara em 11/08/2004!! Muito embora a votação tenha sido quase unânime (apenas 10 votos contra, 8 abstenções e 326 votos a favor) desde lá há uma luta “surda” da bancada do agronegócio para impedir que o segundo turno da votação aconteça, o que é necessário para que a PEC vá à sanção presidencial. O Senado já aprovou.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Atenção para a situação na Grécia

Repasso aqui o texto do companheiro Pedro Fuentes, Secretário de Relações Internacionais do PSOL. É um excelente texto de análise. Boa leitura!

O vulcão grego em erupção
13/05/2010

Em abril passado, a nuvem provocada pelo vulcão da Islândia praticamente paralisou o tráfico aéreo europeu por cinco dias. Há alguns dias, a nuvem voltou a se manifestar, e foi então o momento de fechar aeroportos em Portugal e na Espanha. Trata-se de um fenômeno natural, que costuma ocorrer aproximadamente a cada cem anos.

Porém, há outro vulcão em erupção na Europa, e de natureza distinta ao da Islândia: um vulcão na Grécia. Este outro vulcão pode ter efeitos muito mais drásticos que o fechamento de aeroportos europeus. Na república helênica, o movimento social se assemelha a um vulcão que estourou como resposta aos planos de ajustes do governo social-democrata do PASOK, provocados pela brutal crise econômica no país.

Esta crise grega é um episódio a mais da crise que vive o capitalismo mundial desde 2007, e que se instalou agora com mais força na Europa, ainda que alcance, por enquanto, os países chamados depreciativamente de PIGS (Portugal, Irlanda, Itália, Grécia, Espanha).

O novo desta crise é que o plano de ajuste grego provocou uma intensa onda de luta dos trabalhadores e do povo, que faz recordar as lutas vividas nos fins dos 90 e começos de 2000 na Argentina, Equador e Bolívia, como resposta a situações similares. A diferença é que, naquele momento da América do Sul, a crise mundial não havia estourado com a intensidade com que agora se desenvolve desde a explosão da bolha financeira em 2008 nos EUA, a partir da quebra do Banco Lehman Brothers.

Por isso, sem nenhuma dúvida esta situação grega demonstra algo historicamente novo: confirma-se o que foi escrito nos artigos de Roberto Robaina e Pedro Fuentes, nos quais definimos que, a partir da crise de 2007-2008, entramos num novo período da situação mundial. Um giro histórico que está marcado pela maior crise do capitalismo, econômica e ecológica, por uma polarização social intensa, que é mais favorável aos socialistas e ao movimento de massas. Grécia requer atenção e apoio de todos os partidos e movimentos socialistas revolucionários do mundo. Porque neste país, a combinação entre crise econômica, crise política e resposta social, cria as condições para o surgimento de uma situação revolucionária como antes não se viu, desde décadas atrás na Europa.

Um país quebrado

Como ocorreu na Argentina em 2001, a Grécia também acumulou um forte déficit público e privado, e uma grande dívida externa. A dívida estatal grega ascende à soma astronômica próxima de 300 bilhões de euros e seu déficit orçamentário em relação ao PIB é de mais de 13%. Desta dívida, 95% são títulos nas mãos de bancos europeus, principalmente alemães e franceses.

Num artigo publicado na ARGENPRESS, Manuel Giribets explica como se deu a entrada da Grécia na zona euro, em 2001. Ele denuncia que para lograr esta entrada, os governos gregos falsearam descaradamente os dados econômicos do país. “Goldman Sachs, um dos maiores bancos dos EUA, ajudou a ‘maquiar’ 15 bilhões de euros de dívida externa, como divisas e não como empréstimos em 2001, para que o país cumprisse os requisitos da UE em matéria de endividamento público”, assegura Giribets. Além disso, afirma que por essa operação o banco americano recebeu 300 milhões de euros de comissão, e mais 735 bilhões de euros no falseamento destes títulos a partir de 2002.

Como já vimos, nesta etapa crise, cheia de bolhas criadas por manobras financeiras, balanços fictícios e fraudulentos, os governos gregos também fizeram sua parte, mentindo que o déficit público era de 3,7%. Este era o déficit limite exigido pelos acordos da Comunidade Européia, e os requisitos agora estão saltando pelos ares em muitos países.

Giribets denuncia como o governo conservador – anterior ao atual governo social democrata de PASOK – preferiu endividar-se com os bancos estrangeiros ao invés de aumentar os impostos dos ricos para corrigir o déficit fiscal. A evasão fiscal da burguesia e da alta classe média grega é aterradora. As cifras dizem que 90% dos contribuintes declaram à Fazenda Pública entradas anuais de menos de 30 mil euros. Acredita-se que 20% da população grega ganha mais que 100 mil euros ao ano, ainda que menos de 1% o admitam. Só 15 mil pessoas declaram entradas superiores a 100 mil euros anuais. Irrisório, ainda que nesta conta não se inclua a Igreja, que detém 30% das propriedades do país e não paga impostos.

Daí também se explica o grande endividamento, com dinheiro conseguido através da venda de títulos a bancos europeus. A isso se acrescenta que 30% da economia do país é informal, e que o nível de pobreza alcança 21% da população, enquanto se estima que o desemprego chegue a 20%, afetando especialmente as faixas mais jovens.

A aceleração da crise provocou uma fuga de capitais que não cessa. Em janeiro passado, 8 a 10 bilhões de euros saíram do país, uma cifra superior à última emissão de títulos do Estado.

A crise, crescente em toda zona euro, produziu um estouro da bolha grega. Agora, o governo teve que reconhecer que o déficit alcança 13% (e não 3,7%, como as fraudes permitiram parecer) e que o endividamento supera 100% do PIB, ao que se soma uma dívida privada igual ou maior que a pública.

Os governos da zona euro duvidaram e demoraram no auxílio à Grécia. Finalmente, e depois que as bolsas sofreram uma estrepitosa queda em todo mundo, foi feito um “plano de salvação” da UE com apoio de Obama. Um plano de ajuda que alcança 750 bilhões de euros. Esse plano tem como objetivo evitar a moratória grega, e apoiar as economias comprometidas pela crise.

A contrapartida é um severíssimo plano de ajuste, que no caso da Grécia, é um dos mais ortodoxos e massacrantes que já se conheceu. Faz parte deste plano a redução do salário de todos os funcionários públicos em 10% a 20%; o congelamento de novos empregos por parte do Estado; o aumento da idade da aposentadoria, de 35 anos trabalhados para idade mínima de 63 anos sem considerar os anos trabalhados; o aumento nos preços da gasolina em 10%; a nova lei de impostos para produtos de comércio básico para o povo, que implica aumento entre 8% e 10%. Também o governo de PASOK planeja realizar mudanças radicais na seguridade social, privatizando grande parte desta, como o modelo chileno.

Estas medidas extremas são inevitáveis para um país que está na zona euro, já que por essa dependência não se pode simplesmente desvalorizar a moeda para reduzir salários, como foi feito na Argentina e no Brasil. Isso obriga ao capital os draconianos cortes diretos de salários, como parte do plano de ajustes.

A reação dos trabalhadores e a greve geral

No dia 5 de maio, se realizou uma grande greve geral, com enormes manifestações de massas, incluindo a mobilização de mais de 300 mil trabalhadores na capital Atenas. A greve paralisou tudo: empresas do setor público e privado, pequenas lojas, e até os meios de comunicação. Os taxistas também aderiram. No dia seguinte, várias federações sindicais continuaram os protestos e dezenas de milhares de manifestante rodearão o edifício do parlamento grego, onde se aprovou as medidas do tal plano de ajuste.

Panagiotis Tzamaros, do Partido de Esquerda Internacionalista dos Trabalhadores, comentou que a marcha foi representativa de uma mobilização desde baixo: “Os sindicatos estiveram presentes não só através das federações grandes, mas também os sindicatos locais de trabalhadores tomaram parte com suas próprias faixas. Esse ativismo estabeleceu o tom. A raiva também foi característica da jornada. Dezenas de milhares de trabalhadores gritaram: ‘Hoje e amanhã, mais o tempo que for preciso, todos estamos em greve!’. A fúria inacreditável dos manifestantes inundou o centro de Atenas apesar da chuva sem precedentes de gás lacrimogêneo disparado contra os manifestantes pela polícia”.

A manifestação foi também excepcionalmente política. Os cantos da esquerda revolucionária foram assumidos pela imensa maioria dos manifestantes.

Panagiotis Tzamaros prossegue: “Por outra parte milhares de trabalhadores que votaram a favor de PASOK estavam ali, unindo-se com os partidários da esquerda e atacando um governo a respeito do qual alimentavam ilusões há poucos meses atrás. Agora eles cantavam: ‘Abaixo às medidas de austeridade!’. Esse sentimento também foi abertamente contra a direção sindical. O presidente da Confederação Geral de Trabalhadores Gregos (GSEE, segundo as siglas em grego), que também é um destacado membro do PASOK, foi vaiado por gente de seu próprio partido e isso o obrigou a cortar seu breve discurso”.

Panagiotis Tzamaros conta também que “em 5 de maio, a greve se viu surpreendida pela morte de 3 trabalhadores não grevistas empregados de uma sucursal do banco privado Marfim, que foi incendiado durante a manifestação. Foi comprovado que os trabalhadores do banco tinham solicitado licença do trabalho. Mas sob ameaça de demissão, a gerência os obrigou a permanecer – fato que por si só se tornou uma provocação, já que é bem conhecido que os bancos se convertem em alvos freqüentes durante as manifestações. Os manifestantes atacaram o edifício Marfim. Porém, ainda não foi comprovado se o fogo começou com coquetéis Molotov lançados pelos manifestantes ou com bombas de gás lacrimogênio lançadas pela polícia”.

E continua: “O que está claro é que para reforçar suas fortificações, a direção do banco havia fechado o edifício. Como resultado, quando o fogo se espalhou, os trabalhadores não puderam escapar – com o trágico desfecho da morte de 3 deles”.

O governo de PASOK está tentando usar a trágica morte dos 3 trabalhadores do banco Marfim para fazer frente à enorme resistência da classe trabalhadora do 5 de maio, por meio de uma política “mão de ferro” de “lei e ordem”. Não é casual que o governo tenha pleno apoio do partido de extrema direita fascista na imposição do programa de austeridade do FMI e da UE. O alvo dos ataques da extrema direita não é somente a coalizão de esquerda (SYRZA) e as organizações da extrema esquerda (como foi durante as manifestações de jovens militantes em dezembro de 2008), mas também o mais moderado Partido Comunista.

Finalmente, com apoio da direita as medidas de ajuste foram aprovadas no parlamento. Porém a situação segue aberta e é provável que este ascenso popular se aprofunde, como conseqüência dos grandes avanços que tem feito o movimento social de massas nos últimos anos. A greve geral significou um enorme salto na situação do movimento de massas grego e europeu.

Acúmulo de lutas: a rebelião juvenil de 2008

Quando a crise grega se fez evidente, o governo da ‘Nova Democracia’ (partido herdeiro da direita fascista dos anos 30) iniciou uma política de planos de ajustes, que em geral foi combatida pelos trabalhadores. Greves dos setores públicos foram constantes durante todo período de governo do primeiro ministro Kostas Karamanlis (2004-2009).

A situação do governo ficou crítica no final de 2008, com o assassinato do estudante Alexandros Grigoropoulos, de 15 anos, vítima de um policial que lhe atirou no coração. Esse assassinato gerou uma onda de manifestações massivas e distúrbios no país, efervescência social que não ocorria na Grécia desde as históricas mobilizações, greves e ocupações estudantis de 1973-74, responsáveis pela queda da ditadura dos coronéis imposta em 1965.

O assassinato ocorreu num bairro popular de Atenas, onde os enfrentamentos entre policiais e grupos de jovens anarquistas são comuns. Milhões de manifestantes jovens, fartos da continua violência policial, apoderaram-se do centro de Atenas em questão de horas. Armados com “coquetel molotov” e pedras, os manifestantes atacaram símbolos da polícia, patrulhas, bancos e lojas. No dia 7 de dezembro, os protestos massivos foram espontâneos. No dia 8, uma nova mobilização foi convocada por partidos de esquerda, e unificou as lutas contra a violência policial, contra a crise econômica e contra o crescimento do desemprego entre os jovens. Depois se organizou greves nas universidades e, no dia 10 de dezembro, uma greve geral. As manifestações não pararam, mesmo se restringindo aos partidos de esquerda e, em particular, a setores anarquistas.

Panos Petrou, membro da Esquerda Internacionalista dos Trabalhadores (DEA – sigla em Grego), descreveu a situação nos seguintes termos. “A explosão de ira que se seguiu ao assassinato de Alexis, sintetizou todas as pressões que as pessoas sofreram durante anos: aumento de preços e medidas contínuas de austeridade que foram reduzindo drasticamente os salários dos trabalhadores; sistemática redução de gastos sociais que levou os hospitais, as escolas e os fundos de pensão a beira do colapso”.

A organização protagonista destas manifestações foi a ampla coalizão SIRYZA, da esquerda radical, na qual participam alguns setores socialistas de origem trotskista, entre eles o Partido Internacionalista dos Trabalhadores, e o Sinapysmos, um partido mais amplo dentro do qual coexistem setores mais reformistas. Nessa oportunidade a atuação do Partido Comunista foi decepcionante. Não só porque não fizeram nenhum esforço para organizar e politizar os protestos, mas também porque confundiram o povo com calúnias sobre “manifestantes provocadores”, e se colocaram ao lado daqueles que exigiam restauração imediata da “paz e ordem.”

Outro governo PASOK: mais crise econômica e novos protestos

Menos de um ano depois, no dia 4 de outubro de 2009, o governo de direita sofreu uma dura derrota da social-democracia, do PASOK. Os escândalos de corrupção ajudaram a produzir esta derrota, porém também os 5 anos em que os trabalhadores acumularam experiências amargas com a política neoliberal, especialmente na juventude, com o assassinato do jovem estudante.

Como aconteceu em vários países da Europa, o Governo social-democrata, liderado por Papandréu Jr, eleito com a promessa de mudar a política social da direita, adotou o duro programa neoliberal de austeridade contra os trabalhadores, que nem mesmo a direita se atreveu a implementar.

Algumas das medidas, anunciadas a pretexto de reduzir a dívida, foram as mais duras que a Grécia conheceu. A reação dos trabalhadores, que logo culminaria na greve geral do último 5 de Maio, não demorou. O Sindicato dos Servidores Públicos chamou uma greve em 11 de Março, chamado atendido pela Federação dos Trabalhadores do Setor Privado (GSEE), controlada pelo próprio PASOK. Estas medidas abriram crise inclusive dentro do partido do Governo, enquanto o ascenso social continuou. SIRYZA e o Partido Comunista ocuparam prédios do sistema de seguridade social e estão formando comitês de luta em diferentes cidades, liderados por ativistas e militantes de esquerda.

Ao mesmo tempo, está ocorrendo um fortalecimento da esquerda. No dia 25 de abril, a eleição da nova direção da Federação Grega de Trabalhadores do Setor Privado (GSEE), que até então era controlada pelo PASOK, expressou essa nova força. Ocorreu o 35° Congresso da GSEE, que faz parte da Confederação de Trabalhadores Gregos.

Segundo nos informa Costa Constantino, responsável pela comissão para América Latina do SINASPYSMOS (setor da coalizão SIRYZA), foram 44.000 trabalhadores ao pré-congresso, eleitos 439 delegados, que votaram a nova direção. A chapa aberta da qual participou SINASPYSMOS e outras forças de SIRYZA obteve 07 cargos na nova direção. O Partido Comunista 06 cargos e o PASOK, que era a força hegemônica, outros 06 cargos, ficando em terceiro lugar. Na eleição dos delegados para a Confederação dos Trabalhadores os resultados foram 08, 07 e 03, respectivamente.

Esta nova situação vem fortalecendo a esquerda, que não obteve bons resultados eleitorais em 2009, quando ganhou o PASOK. Segundo os companheiros do Partido Internacionalista dos Trabalhadores, se desperdiçou uma oportunidade. O KKE (sigla em grego para Partido Comunista Grego) ficou em terceiro com 7,5%, enquanto nas eleições anteriores havia alcançado 8,2%.

Por outro lado, SYRIZA conseguiu 4,6% dos votos e a eleição de 13 deputados. Na análise dos companheiros, este resultado se deveu a amplo voto útil no PASOK, para que alcançasse maioria parlamentar própria. O que não ocorreu nas eleições, ocorreu nas ruas e na luta política contra a crise. E as eleições sindicais da GSEE foram uma conseqüência disso.

O que virá? A luta acaba de começar

A greve geral foi o primeiro passo. A crise continua e contagia toda a Europa. Ao mesmo tempo, a mobilização e a greve grega se converteram em um grande exemplo. E como disse Lênin: “se o discurso convence, o exemplo arrasta”. Os sindicatos franceses e espanhóis enviaram delegações para expressar sua solidariedade. Nos países europeus, os sindicatos e ativistas organizaram eventos de solidariedade em frente às embaixadas gregas.

A idéia de uma frente de resistência européia está amadurecendo. Prova disso foi a declaração assinada por numerosos partidos de esquerda, entre eles SYRIZA, o Bloco de Esquerda de Portugal e o NPA da França, entre outros.

É possível que o plano de ajuda de 750 bilhões de euros postergue na Grécia o estalido da crise, porém não será a solução. A economia grega e dos países europeus mais fragilizados não vai se recuperar, e os governos neoliberais serão obrigados a aprofundar os ajustes anti sociais.

Os trabalhadores gregos estão dando um extraordinário exemplo de combatividade e unidade para enfrentar a crise e suas conseqüências. A pergunta é: o que acontecerá quando o ajuste for implementado? O que acontecerá quando os salários dos funcionários públicos forem rebaixados e quando os preços dispararem? O que acontecerá também quando os pequenos poupadores, com medo, saquem todo o seu dinheiro dos bancos?

Recordemos o que aconteceu na Argentina, numa situação similar. Houve uma mobilização geral contra os ajustes, que derrubou um governo numa semana e outro governo na semana seguinte. Naquela crise, o parlamento argentino votou o não pagamento da dívida externa.

Temos confiar que a combativa esquerda grega, que compõe a SYRIZA, atue sábia e unitariamente: medindo os tempos e através de políticas que mantenham viva a mudança de consciência produzida nas massas, graças às mobilizações. E que novas e maiores ações ampliem a experiência da luta grega. Terão que descobrir qual será o ritmo da resposta das massas, frente os futuros episódios da crise.

Como experiência, recordemos que na Argentina depois do “argentinazo” se conformaram grandes assembléias de bairro, que convocaram grandes marchas sob a consigna “que se vaya el gobierno y que se vayan todos” (que se vá o governo, e que saiam todos). A esquerda em vez de atuar unida, respondendo às necessidades do movimento de massas, disputou entre si a hegemonia das assembléias, estabelecendo uma luta entre posições táticas. Assim, perdeu a chance de fazer do “argentinazo” um movimento de avanço na consciência política nas massas. Só assim seria possível criar um pólo político capaz de aprofundar as lutas.

Numa crise desta envergadura, nós, socialistas, temos grandes possibilidades de disputar a direção e a hegemonia do movimento de massas.

É muito provável que, a longo prazo, não só se retomem as grandes mobilizações, mas também se aprofundem as reivindicações. As massas vão fazer sua experiência contra as medidas draconianas de ajuste quando estas se aplicarem, e vão perceber com seus próprios olhos que esta dívida é impagável. Que a grande burguesia não paga impostos e estes recaem sobre o povo pobre. Daí que consignas como o “não pagar a dívida”, “impostos para os ricos e não para o povo”, “assembléia constituinte para reorganizar o país sobre outras bases que permitam terminar com os privilégios dos ricos, nacionalizar os bancos e tirar o poder dos corruptos e do capital estrangeiro” podem estar colocadas.

O vulcão Grego recém começou sua primeira erupção.


Pedro Fuentes, secretário de Relações Internacionais do PSOL

Fonte: Relações Internacionais do PSOL