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quinta-feira, 12 de abril de 2012

Sobre a polêmica das sacolas plásticas


O debate sobre a preservação do meio ambiente vem tomando proporções cada vez maiores. As catástrofes naturais estão sendo cada vez mais associadas ao modo de produção e ao estilo de consumo. Muitas pessoas, organizações e empresas que historicamente não se importaram com o meio ambiente e com a sustentabilidade estão se tornando adeptos da ideia da preservação ambiental.

Tenho a impressão de que o “giro ambientalista” de algumas grandes empresas tem que ser observado mais de perto. A causa comove uma parcela cada vez maior da população. Os empresários enxergam a população como consumidores, se uma empresa tem responsabilidade ambiental, tem uma tendência a atrair um público, normalmente seletivo pelas questões ambientais e de maior poder aquisitivo. O que acaba acontecendo é a criação de um comércio verde, um comércio ambientalmente responsável, pelo menos na teoria.

O tema do uso de sacolas plásticas em supermercados é notável. Há poucos dias, no Estado de São Paulo, os supermercados deixaram de disponibilizar sacolas plásticas nos caixas. Como os clientes dos supermercados obviamente precisam de algum recipiente para transportar suas compras, cria-se um problema. Os donos de supermercado imediatamente resolveram este problema: colocaram a venda sacolas de pano em seus supermercados. Em uma semana, apenas uma loja de um hipermercado, vendeu nada menos que 10 mil sacolas de pano.

O objetivo do não oferecimento de sacolas plásticas nos caixas pode até parecer ser a redução na produção de lixo doméstico. Opino que de fato, parece. A verdade é que os supermercados terão um grande faturamento com a venda de sacolas de pano. E este é apenas um lado do problema. O outro lado é justamente o problema ambiental, teoricamente a justificativa maior para a extinção das sacolas plásticas.

A gigantesca maioria, senão a totalidade da população, reutiliza suas sacolas plásticas do supermercado como saco de lixo. Ao menos as sacolas plásticas de tamanho médio, em geral, são totalmente reutilizadas com este objetivo. As sacolas de grande porte também são amplamente reutilizadas, aqui no Rio Grande do Sul, para guardar o ventilador no inverno e o cobertor no verão, por exemplo. As únicas sacolas plásticas que não são reutilizadas ou são de difícil reutilização são as de pequeno porte.

O problema posterior à inexistência de sacolas plásticas nos supermercados é a falta de sacos de lixo, ou a falta de sacolas para armazenarmos alguma coisa em nossas residências. Qual a solução mais comum para este problema? A compra, no mesmo supermercado que não oferece sacolas plásticas para carregar as compras, de sacolas plásticas para armazenar o lixo. Quem acaba ganhando com esta situação são os empresários dos supermercados e os produtores de sacolas plásticas, os primeiros vão vender mais sacolas de pano e sacos de lixo e os últimos comercializarão ainda mais o seu produto.

Desta forma, sequer o problema ambiental é resolvido ou minimizado, visto que muitas das sacolas plásticas comercializadas como sacos de lixo têm um tempo de decomposição igual ao das sacolas de supermercado, gerando um impacto ambiental igual ou parecido.

A solução dos problemas ambientais, ou a existência de um nível de consumo sustentável, não passam apenas pela retirada das sacolas plásticas dos caixas de supermercado. Passam por um longo processo de educação ambiental, pela existência de políticas públicas eficazes no combate á poluição, pela fiscalização rígida de todas as atividades poluentes e principalmente pela atuação da população como agente transformador de suas relações ambientais.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Relato de quem volta a andar de bicicleta

Muito andei de bicicleta nesta minha vida de 28 anos. Quando "mandinho" lá no Simões Lopes foram várias e várias histórias inesquecíveis curtindo a minha bicicletinha.

O passeio preferencial era a "volta na quadra". Fazíamos corrida dando a volta na quadra. Saíamos pela Avenida Brasil, entrávamos na Araújo Viana, depois na Rua General Sampaio*, Pedro de Toledo e retornávamos à Avenida Brasil. Eu normalmente perdia as corridas, pois era o menor da turma e tinha a menor bicicleta.

Nunca me esqueço da vez que fomos dar a volta na quadra, eu com os joelhos totalmente esfolados de tentar andar sem rodinhas e a mãe segurando o banco, para me dar segurança. Lá pelas tantas olhei pra trás e a mãe tinha me soltado!! Um super susto, mas segui andando e aprendi a andar sem as rodinhas.

Outra vez, na mesma volta na quadra, resolvi sair com a bicicleta do pai. Era uma "grande", com freio torpedo (aquele que se freia girando os pedais em sentido inverso ao do movimento pra fazer a bicicleta andar). Quando fiz, em alta velocidade, a curva da General Sampaio, me deparei com o caminhão do pai do Charles e do Wagner, bem na minha frente! No instinto, freiei no manete. Nestas bicicletas o manete só tem o freio da frente, perdi o equilíbrio e me detonei na queda. Meus joelhos ficaram em "carne viva", uma senhora da quadra da Araújo Viana veio correndo com uma garrafa de coca litro com água para lavar os meus joelhos, até hoje tenho a cicatriz.

Embora nunca tenha parado de andar de bicicleta, desde o início de Fevereiro deste ano tenho saído bastante para pedalar, quase todos os dias. Vou aproveitar esta oportunidade para fazer coro com os milhares de ciclistas da nossa cidade. Pelotas é uma cidade plana, bastante agradável para pedalar.

O que mudou e muito dos meus tempos de Simões Lopes para agora, é que o trânsito atualmente é muito mais intenso. Há muitos carros e andar de bicicleta nas ruas mais movimentadas é um tanto complicado, principalmente nas ruas em que passam os ônibus. Nesta minha breve jornada de ciclista, já quase fui atropelado algumas vezes, sendo que em uma delas fui até perseguido por um ônibus da Empresa Santa Silvana.

Creio que com as condições de relevo propícias para pedalar que temos em Pelotas, poderíamos ter um plano mais pensado para transformar a mobilidade urbana, incentivando o uso de bicicletas, a educação ambiental, a educação no trânsito, construindo ciclovias interligadas que permitam o trânsito seguro de quem pedala para trabalhar ou por lazer.

Pelo que tenho visto, o mundo inteiro está olhando para a bicicleta como um meio de transporte necessário, social e ambientalmente correto, temos que construir as condições para possibilitar a massificação deste meio. Aqui, temos totais condições de fazê-lo, são necessárias mobilizações dos ciclistas e vontade dos governantes.

*Tive que recorrer ao Google Maps para descobrir o nome desta rua, na época chamávamos apenas de Rua de Trás, porque ficava atrás do Castelo, que hoje nem existe mais.

terça-feira, 1 de março de 2011

Bicicletada da Paz em Pelotas

O terrível atropelamento sofrido por integrantes do Movimento Massa Crítica no último final de semana em Porto Alegre chamou a atenção da população pela brutalidade das cenas.

Manifestações em defesa das vítimas e do uso de bicicletas estão sendo convocadas por ciclistas em todo o país. Com o objetivo de nos somarmos nesta luta estamos colaborando na divulgação da Bicicletada da Paz em Pelotas, que ocorrerá na próxima quinta-feira, dia 3 de Março, com concentração na Catedral São Francisco de Paula. Os organizadores pedem o uso de roupas brancas.

Acreditamos que seja importante aproveitar o momento para fortalecer o debate em relação ao uso das bicicletas e à segurança dos ciclistas. Em Pelotas, temos por um lado uma topografia extremamente propícia para o uso de bicicletas, por outro lado, são mínimas ou nulas as ciclovias que permitam a pedalada em segurança.

Aproveito a oportunidade para divulgar os contatos da turma que se articula pelas bicicletadas na cidade: www.pinhalivre.org e www.leandropedal.blogspot.com

Abaixo o cartaz da Bicicletada

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

A Usina Teremelétrica de Candiota

Quando vi a propaganda do Governo Federal sobre o início da operação da Fase C da Usina Termelétrica Presidente Médici, em Candiota, fiquei perplexo.

Fazem alguns dias, a propaganda era muito bem produzida, muito bonita, parecia o programa de TV da Dilma. Tratava de propagandear que a inauguração da Fase C era um orgulho para a região e que a energia gerada era "limpa".

Minha perplexidade se deu por saber das péssimas relações de trabalho existentes no decorrer da execução da obra: baixos salários, não pagamento de insalubridade e periculosidade, problemas nos refeitório e graves problemas em relação à segurança dos trabalhadores (acompanhamos uma greve dos trabalhadores após a morte de um operário, foi um dos primeiros posts de nosso blog).

Eis que hoje se noticia estadualmente a paralisação das atividades em todo o complexo da Usina Presidente Médici, por ordem do Ministério Público Estadual devido à problemas ambientais.

Além de esquecer dos trabalhadores que perderam a vida no decorrer da obra, a tal propaganda parece que não foi tão exata em relação aos relatórios de impacto ambiental, pois segundo o Ministério Público, nem o IBAMA aprova a manutenção das atividades no complexo.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Do ambientalismo utópico ao ambientalismo científico

Repasso aqui texto do camarada Edilson Silva, Presidente do PSOL de Pernambuco.

Do ambientalismo utópico ao ambientalismo científico
07/06/2010
Edilson Silva

Em tempos de keynesianismo neoliberal, ou neoliberalismo de estado, que são simultaneamente tempos de brutal crise ambiental, torna-se inevitável o aparecimento de um amplo sentimento ambientalista que se pode chamar de utópico. Este ambientalismo acha possível combinar capitalismo em crise terminal com práticas “verdes”. Nada mais progressivo, mas ingênuo, quando se trata de uma suposta consciência que brota honestamente na sociedade. Quando se trata de discurso político em período eleitoral, esta ingenuidade pode dar lugar ao mais puro oportunismo, tamanha as contradições que a realidade impõe.

Há tempos o sistema capitalista já não consegue compatibilizar seu crescimento econômico com desenvolvimento social, com avanço e ampliação do processo civilizatório. Suas crises sistêmicas vêm sendo contornadas com artifícios os mais variados e “inteligentes” na última metade de século: intervenção estatal para garantir demanda; revoluções tecnológicas nas telecomunicações, na informática, nas áreas de farmácia e medicina, criando novas e indispensáveis mercadorias de consumo de massa; mercados futuros para ampliar virtualmente o tamanho das economias; obsolescência perceptiva e real de mercadorias, construindo padrões frenéticos de consumo na sociedade; transformação de tudo o que é possível em mercadoria a serviço do funcionamento do mercado, com privatizações na educação, saúde, previdência, segurança, água, energia elétrica, comunicação, transportes, etc. Tudo isto sempre combinado com um processo constante de intensificação da exploração do trabalho humano, produzindo cada vez mais e com menos trabalhadores, portanto, com cada vez mais desemprego.

Neste quadro, que mais há de fazer a elite do capital para manter a taxa de lucro médio no sistema, após a acumulação simultânea de todos estes artifícios? Que tal Copas do Mundo em países cuja república possui fissuras do tamanho da lua, como África do Sul e Brasil? Sim, nestes países pode-se construir estádios e todos os tipos de equipamentos esportivos, tudo novo, sem reformar nada, consumindo os recursos públicos para engordar o milionário negócio dos esportes mixados com entretenimento de massa e turismo. Depois dos eventos, tudo que foi construído fica lá, perdido, como aconteceu com o Pan do Rio de Janeiro. Desperdício de recursos naturais, materiais e humanos.

Ou então, que tal construir a terceira maior usina hidroelétrica do mundo, Belo Monte, destruindo a reserva do Xingu, mesmo sabendo que há outras formas mais baratas e racionais de se produzir e usar a energia elétrica? Ou ainda, que tal fazer a transposição das águas de um dos maiores rios do Brasil, o Velho Chico, para atender a interesses industriais de poucos, sabendo-se que para matar a sede do povo do semi-árido há formas mais baratas e que não agridem aquele bioma? E destruir mais de 600 hectares de mata nativa em Suape para dar mais vazão ao garimpo em que se transformou aquele lugar?

Vamos além. Que tal liberar a transgenia na agricultura para garantir superávits numa balança comercial que visa robustecer uma reserva cambial que atende majoritariamente aos interesses do capital especulativo, outra faceta burguesa para manter a remuneração de seu capital parasitário e improdutivo?

A devastação ambiental, com seu conseqüente aquecimento global e todos os males daí derivados, não é fruto somente da estupidez de governos e empresários perversos. É fruto natural da irracionalidade presente na lógica sistêmica do capitalismo agonizante, que se materializa na gestão pública na forma de políticas econômicas e de suposto crescimento econômico que se submetem a esta lógica.

Portanto, não há que se falar em ambientalismo sério que não critique duramente as políticas que viabilizam a presidência da lógica destrutiva do capital sobre o conjunto da sociedade. Este ambientalismo é, na melhor das hipóteses, utópico. Um ambientalismo sério, coerente, combina-se inevitavelmente com a proposta do socialismo, em que o planejamento democrático e solidário se sobrepõe ao mercado, e no qual o crescimento econômico está necessariamente vinculado ao desenvolvimento social.

Edilson Silva