Amig@s. Se alguém acompanha este blog sabe que eu estou meio que totalmente em dívida com a atualização dele. Uma série de coisas aconteceram e eu não pude usar o blog como uma ferramenta: as mobilizações na Europa, dos bombeiros do RJ, a luta dos estudantes da UFPel... enfim, mas quem me conhece sabe que eu não estou "parado", só que nas últimas semanas, o que mais tenho escrito são fichas de leitura do Mestrado, e estas, acho que ninguém vai querer ler né? Com exceção dos meu professores!!
Bem, mas hoje é meu aniversário, me lembrei de um aniversário muito legal meu, em 1997. Escrevi sobre este dia, empolgado com o jogo do Brasil hoje a noite. Ficou meio extenso, mas espero que leiam. Em breve voltamos com força total!
Bem, 15 de Junho é o dia do meu aniversário. Em 2011, faço 28 anos. Sou torcedor do Brasil de Pelotas e tenho lá algumas lembranças de jogos decisivos do Xavante no dia do meu aniversário. Neste dia 15, às 20 h o Brasil entra em campo em Farroupilha, contra o Brasil daquela cidade e não pude deixar de lembrar de um dos dias 15 de junho mais notáveis da minha vida, justamente em razão de ser um dia de decisão para o Brasil.
Era um Domingo, 15 de Junho de 1997, eu estava fazendo 14 anos. Foi um dia muito chuvoso, daqueles pra ficar dormindo em casa, mas era meu aniversário e Xavante que se preze é da “Maior e Mais Fiel”, obviamente eu tinha que ir pro jogo.
Fui pro jogo. Na verdade fomos, eu e os meus vizinhos/amigões, o Daniel, o Rafael e se não me engano o queridíssimo e falecido Max também foi (o Max era colorado e não ia aos jogos do Brasil, mas pela excepcionalidade da partida, foi). Saímos a pé, com toda aquela chuva, da Cerquinha até a Baixada.
Jogariam Brasil e Juventude de Caxias do Sul, era uma decisão, o último jogo da Fase, se o Brasil vencesse classificaria para o mata-mata do Gauchão. O Juventude tinha um timaço, na época a empresa Parmalat jorrava dinheiro nos cofres do time de Caxias. O Brasil tinha um time mais modesto, mas, era um time combativo. O Craque do time e melhor jogador que eu vi com a camisa do Brasil era o 10, Luizinho Vieira. Digo que foi o melhor que eu vi jogar no Brasil porque sou fã dos jogadores que na hora “aga” não costumam faltar, e no dia 15 de Junho de 1997, o Luizinho não faltou.
Com toda aquela chuva, o Bento Freitas estava completamente lotado. Milhares de fiéis estavam lá e viram tudo o que eu vi, ou quase tudo. Bem, eu estava fazendo 14 anos, naquela fase de adolescente rebelde sem causa sabem? Pois o jogo começou e a torcida estava empolgadíssima, fomos lá para o “meião”, perto da Garra Xavante (a charanga, pra quem não sabe). Naquela empolgação a turma começou a fazer uma coreografia que era muito comum em todos os estádios do país, antes do surgimento das cadeiras (que ainda não chegaram na Baixada), todo mundo se abraçava e ficava pulando de um lado pro outro. Eis que o adolescente rebelde sem causa resolveu não se abraçar com a galera, porque o jogo já tinha começado e era necessário ver o jogo.
O jogo foi tenso, muito tenso. Na época, o Brasil tinha um lateral esquerdo que tinha vindo das categorias de base do Inter, chamado Silvan. A galera não gostava do Silvan, e eu não sabia porque. Eu achava que o cara jogava bem e tomei minha segunda atitude de adolescente rebelde sem causa, antipática, enquanto todos vaiavam o Silvan, eu aplaudia.
O primeiro tempo acabou em zero a zero. Ali, é normal a gente ver todo o jogo em pé e se sentar no intervalo, mas como estava tudo molhado, todo mundo ficou em pé. Neste momento, percebi que eu tinha me separado dos meus amigos, pois tinha muita gente no Estádio e acabamos ficando meio longe nas arquibancadas.
Eu estava lá, sozinho, em pé, todo molhado e começaram a passar uns copos de cerveja pela minha cabeça, na época, podia tomar cerveja nos Estádios. Neste momento, tomei minha terceira e fatal atitude de adolescente rebelde sem causa, antipática: reclamei do vai e vem dos copos na minha cabeça. Foi só eu reclamar e os copos passaram a bater com mais força na minha cabeça, viravam cerveja em mim, batiam com os braços na minha cabeça... só aí é que eu fui “tomar consciência” dos meus atos e da minha situação. Os meus amigos eram uns caras altos, mais de 1 m e 80, fortões, e eu, o mais novinho e fraquinho, tinha arranjado uma confusão.
O ápice das provocações se deu quando um dos caras dos copos de cerveja me puxou o cabelo (na época era comprido), sério, foi um puxão muito forte. Tomei coragem e me virei! Quarta atitude adolescente, rebelde, sem causa, e desta vez insana. Os “caras da cerveja” eram 6, muuuito maiores e mais “experientes”do que eu. O que puxou o meu cabelo tomou a frente, me agarrou as bochechas que nem a gente faz com as criancinhas, só que muito mais forte e começou a dizer assim: “olha aqui Negão Feijão, é um gurizinho! O que nós vamos fazer com este gurizinho? Nós vamos bater neste GURIZINHO?”
Eu, obviamente, me caguei de medo. Fiquei estático. Nisso, se aproximou o “Negão Feijão”, que era meio gordinho, com um bigodão, o mais baixo deles, mas parecia ser uma espécie de líder. O “Negão Feijão” me olhou de cima abaixo, pegou minhas bochechas e disse: “É verdade, é um gurizinho, deixa ele.”
Ufa, me livrei daquela. Me virei em direção ao campo e decidi que não olharia mais pra trás de jeito nenhum, vai que eles mudassem de idéia? Começou o segundo tempo, o jogo continuou tenso, o campo estava encharcado e a bola não rolava, a torcida estava ficando maluca. Lá pelas tantas alguém jogou uma pedra pra dentro do campo, acertou a cabeça do bandeirinha, que ficou sangrando muito e teve que ser substituído.
O tempo passou, a ansiedade cresceu e nada de gol do Xavante. Até que passados 40 minutos de jogo o Brasil armou uma jogada pela direita, a bola foi cruzada na área, se deu uma confusão e sobrou dentro da área. Adivinhem quem apareceu para guardar? Ele mesmo, Luizinho, Gol do Brasil, Gol da classificação!!!! Me lembro até hoje de ver o gol na TV no outro dia, tinha um torcedor atrás do gol (foi no gol do placar) que conservou o seu guarda-chuva intacto até o gol do Luizinho, quando saiu o gol, o cara começou a bater com o guarda-chuva na tela, destruindo-o.
E assim são as comemorações dos gols decisivos, naquele dia não foi diferente. Em todo o Estádio, toda a Massa Xavante se enlouqueceu, uns pulavam, outros corriam, outros se deitavam nas arquibancadas, nas poças d’água... eu, que estava longe dos meus amigos, pulei, gritei, me ajoelhei, levantei e comecei a abraçar todo mundo que estava perto de mim, pessoas desconhecidas, mas que naquele momento tinham virado meus melhores amigos.
Lá pelas tantas, adivinhem que surgiu ao meu lado? Ele mesmo, o “Negão Feijão”. Fiquei meio grilado, “o que eu vou fazer, será que esses caras querem me bater ainda?” Eis que o Feijão me agarrou pelas bochechas novamente, me sacudiu e começou a gritar: “GURIZINHOOOOO, GURIZINHOOOOO, É NOSSO, É O XAVANTE!!!”, depois ele começou a beijar as minhas bochechas, as mesmas que ele queria esbofetear a 45 minutos atrás.
Comemoramos todos juntos. Eu e a “galera dos copos”. Foi uma grande lição, um baita presente de aniversário. Talvez até tenha sido um divisor de águas, um episódio importante para o término da maldita fase de adolescente rebelde sem causa. Hoje, 15 de Junho de 2011, faço 28 anos, não sou mais adolescente, me considero um rebelde, só que agora com causa. O que não mudou é que eu continuo sendo mais um membro da Massa Xavante, da Maior e Mais Fiel e que eu quero que alguém “guarde” aquele golzinho da classificação no dia do meu aniversário.
Saudações especiais ao Luizinho Vieira, que a última vez que vi estava treinando o nosso co-irmão Farroupilha e ao “Negão Feijão” que nunca mais vi.
"Vários irmãos se recolhem e vão em frente. Vários também escravizam sua mente. Eu sei bem, quebro a corrente onde passo, e planto a minha semente. Gafanhotos nunca roubam de que tem. Predadores, senhores que mentem, esperem sentados, a rendição, nossa vitória não será por acidente." Stab, de Planet Hemp.
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quarta-feira, 15 de junho de 2011
sexta-feira, 25 de junho de 2010
E se o Lenin tivesse Twitter?
O país está novamente paralisado assistindo a Copa do Mundo de futebol. Nada de diferente, a cada 4 anos é assim. Mesmo com a tragédia no Nordeste causada pelas chuvas e pela irresponsabilidade dos governantes, o máximo que ocorreu foi um divisão no tempo do noticiário entre a Copa e o Nordeste.
Há no entanto uma diferença interessante na cobertura da Copa da África. A relação entre o técnico da Seleção Brasileira Dunga e a Rede Globo é bastante conturbada, o pico da briga foi no último domingo a noite, após o jogo do Brasil com a Costa do Marfim, o técnico se desentendeu com um jornalista da Globo, dizendo-lhe diversos palavrões.
A resposta da Rede Globo foi imediata: no Programa Fantástico o jornalista Tadeu Schmidt (um dos mais carismáticos da emissora) foi ao ataque contra Dunga, tratando de afirmar que tal comportamento não era compatível com o de um técnico da seleção e que a situação não poderia continuar.
Quem conhece um pouco a influência da Rede Globo no Brasil pode ter pensado que começava ali o “ataque final” contra o técnico, tudo indicava que já na segunda feira pela manhã Dunga sofreria ataques até nos programas sobre culinária.
Não foi assim. Depois do Programa Fantástico, a Rede Globo pouco ou nada comentou sobre o episódio. Fui procurar alguma resposta para isso e encontrei uma hipótese, que me parece bem razoável. No mesmo domingo à noite, minutos depois de acabar o programa que tinha atacado o técnico, o tópico mais comentado no Twitter Brasil era “Cala a boca Tadeu Schimidt”. Tinha se formado uma clara rede de apoio ao técnico, um contra-ataque imediato à emissora mais assistida no país.
Talvez a minha hipótese esteja errada, pode a Rede Globo não ter continuado a briga porque não quis confundir uma briga com o técnico com uma briga com a seleção – um patrimônio nacional – ou por qualquer outro motivo. Mas o “Cala a boca Tadeu Schimidt” é realmente algo forte, “articulado” no Twitter, que nas últimas semanas já se mostrou um excelente mecanismo de pressão nos parlamentares para a aprovação do Projeto Ficha Limpa.
Em tempos de poucas mobilizações nas ruas, o Twitter parece ter substituído a forma como a classe média se manifesta. Não creio que a internet e as inúmeras redes sociais possam servir de padrão para as mobilizações, a maioria da população não tem acesso à rede mundial de computadores, e ainda acredito que o bom e velho “bafo na nuca” seja mais eficiente. Por outro lado, é inegável que as ferramentas virtuais podem ser interessantes. Neste momento por exemplo, o PSOL está organizando através no Twitter doações para as vítimas da tragédia no Nordeste, o que pode dar bons resultados.
Ainda sobre a Copa do mundo, a Rede Globo e o Twitter: está sendo organizado pela internet o “Dia sem Globo” para esta sexta feira. É um convite para que o povo assista ao jogo contra Portugal em outra emissora, mais uma parte da rede de apoio ao Dunga. Se der certo será muito mais Fantástico que o programa de domingo à noite, um golpe na emissora que controla a comunicação no Brasil. Numa dessas, só consigo me perguntar: e se o Lenin tivesse Twitter?
Há no entanto uma diferença interessante na cobertura da Copa da África. A relação entre o técnico da Seleção Brasileira Dunga e a Rede Globo é bastante conturbada, o pico da briga foi no último domingo a noite, após o jogo do Brasil com a Costa do Marfim, o técnico se desentendeu com um jornalista da Globo, dizendo-lhe diversos palavrões.
A resposta da Rede Globo foi imediata: no Programa Fantástico o jornalista Tadeu Schmidt (um dos mais carismáticos da emissora) foi ao ataque contra Dunga, tratando de afirmar que tal comportamento não era compatível com o de um técnico da seleção e que a situação não poderia continuar.
Quem conhece um pouco a influência da Rede Globo no Brasil pode ter pensado que começava ali o “ataque final” contra o técnico, tudo indicava que já na segunda feira pela manhã Dunga sofreria ataques até nos programas sobre culinária.
Não foi assim. Depois do Programa Fantástico, a Rede Globo pouco ou nada comentou sobre o episódio. Fui procurar alguma resposta para isso e encontrei uma hipótese, que me parece bem razoável. No mesmo domingo à noite, minutos depois de acabar o programa que tinha atacado o técnico, o tópico mais comentado no Twitter Brasil era “Cala a boca Tadeu Schimidt”. Tinha se formado uma clara rede de apoio ao técnico, um contra-ataque imediato à emissora mais assistida no país.
Talvez a minha hipótese esteja errada, pode a Rede Globo não ter continuado a briga porque não quis confundir uma briga com o técnico com uma briga com a seleção – um patrimônio nacional – ou por qualquer outro motivo. Mas o “Cala a boca Tadeu Schimidt” é realmente algo forte, “articulado” no Twitter, que nas últimas semanas já se mostrou um excelente mecanismo de pressão nos parlamentares para a aprovação do Projeto Ficha Limpa.
Em tempos de poucas mobilizações nas ruas, o Twitter parece ter substituído a forma como a classe média se manifesta. Não creio que a internet e as inúmeras redes sociais possam servir de padrão para as mobilizações, a maioria da população não tem acesso à rede mundial de computadores, e ainda acredito que o bom e velho “bafo na nuca” seja mais eficiente. Por outro lado, é inegável que as ferramentas virtuais podem ser interessantes. Neste momento por exemplo, o PSOL está organizando através no Twitter doações para as vítimas da tragédia no Nordeste, o que pode dar bons resultados.
Ainda sobre a Copa do mundo, a Rede Globo e o Twitter: está sendo organizado pela internet o “Dia sem Globo” para esta sexta feira. É um convite para que o povo assista ao jogo contra Portugal em outra emissora, mais uma parte da rede de apoio ao Dunga. Se der certo será muito mais Fantástico que o programa de domingo à noite, um golpe na emissora que controla a comunicação no Brasil. Numa dessas, só consigo me perguntar: e se o Lenin tivesse Twitter?
sexta-feira, 11 de junho de 2010
Lições em um jogo de abertura da Copa do Mundo
Nesta sexta-feira, dia 11 de Junho, começa a Copa do Mundo de Futebol. O jogo de abertura é entre a anfitriã África do Sul e o México. Esta é uma das situações da vida que me fazem lembrar um episódio da minha infância que teve enorme conseqüência na minha formação pessoal.
A primeira Copa do Mundo que assisti foi em 1990, disputada na Itália. Na época morávamos no Bairro Simões Lopes e assistiríamos à Copa em nossa primeira televisão a cores.
Naquele tempo quem abria a Copa não era a seleção anfitriã, mas a seleção campeã da edição anterior. O jogo de abertura foi entre Argentina e Camarões. A primeira, campeã em 1986, contava com o craque Diego Maradona, era amplamente favorita para aquela partida e candidatíssima ao título, já a seleção de Camarões era uma incógnita, uma zebra, como todas as seleções africanas. Até a Copa de 90.
Estávamos lá, eu e a minha irmã Janaína (6 e 10 anos, respectivamente) assistindo o jogo. Passados uns 10 ou 15 minutos o nosso pai chegou do trabalho. Fomos correndo avisá-lo de que estava passando o jogo de abertura, perguntamos se queria assistir com a gente.
Ele não gostava de ver jogos de futebol, menos ainda lhe agradava ficar parado na frente de uma televisão, por aí, não deu muita bola pro nosso convite. Apenas nos perguntou quem estava jogando e para quem estávamos torcendo.
Ingenuamente, como qualquer criança, dissemos que o jogo era entre Argentina e Camarões e que estávamos torcendo para a Argentina. Ele nos perguntou o motivo da torcida e explicamos que obviamente a Argentina era mais forte e venceria o jogo.
Foi então que ele resolveu nos dar uma lição. Ficou sério e começou a nos interrogar sobre o porquê de torcermos para “o mais forte” e porque o mais forte “sempre tinha que ganhar”. Ficamos ali pensativos, e um pouco por respeito outro pouco por vontade passamos a torcer para Camarões.
A “virada de casaca” nos deu uma grande alegria. Para a surpresa da maioria absoluta das pessoas que assistiam àquela partida, o atacante Omam Biyik fez o gol da vitória de Camarões. Lembro até hoje da imagem da zebrinha passando na TV e da nossa comemoração pelo gol e pela vitória da seleção africana.
Poderia ter sido um simples jogo de futebol, um episódio esquecível, no entanto ficou marcado como uma lição: não precisamos torcer pelos mais fortes e os mais fortes nem sempre vão ganhar. Os “mais fracos” podem vencer e vão vencer, e vamos comemorar, como comemoramos o gol do Omam Biyik.
A primeira Copa do Mundo que assisti foi em 1990, disputada na Itália. Na época morávamos no Bairro Simões Lopes e assistiríamos à Copa em nossa primeira televisão a cores.
Naquele tempo quem abria a Copa não era a seleção anfitriã, mas a seleção campeã da edição anterior. O jogo de abertura foi entre Argentina e Camarões. A primeira, campeã em 1986, contava com o craque Diego Maradona, era amplamente favorita para aquela partida e candidatíssima ao título, já a seleção de Camarões era uma incógnita, uma zebra, como todas as seleções africanas. Até a Copa de 90.
Estávamos lá, eu e a minha irmã Janaína (6 e 10 anos, respectivamente) assistindo o jogo. Passados uns 10 ou 15 minutos o nosso pai chegou do trabalho. Fomos correndo avisá-lo de que estava passando o jogo de abertura, perguntamos se queria assistir com a gente.
Ele não gostava de ver jogos de futebol, menos ainda lhe agradava ficar parado na frente de uma televisão, por aí, não deu muita bola pro nosso convite. Apenas nos perguntou quem estava jogando e para quem estávamos torcendo.
Ingenuamente, como qualquer criança, dissemos que o jogo era entre Argentina e Camarões e que estávamos torcendo para a Argentina. Ele nos perguntou o motivo da torcida e explicamos que obviamente a Argentina era mais forte e venceria o jogo.
Foi então que ele resolveu nos dar uma lição. Ficou sério e começou a nos interrogar sobre o porquê de torcermos para “o mais forte” e porque o mais forte “sempre tinha que ganhar”. Ficamos ali pensativos, e um pouco por respeito outro pouco por vontade passamos a torcer para Camarões.
A “virada de casaca” nos deu uma grande alegria. Para a surpresa da maioria absoluta das pessoas que assistiam àquela partida, o atacante Omam Biyik fez o gol da vitória de Camarões. Lembro até hoje da imagem da zebrinha passando na TV e da nossa comemoração pelo gol e pela vitória da seleção africana.
Poderia ter sido um simples jogo de futebol, um episódio esquecível, no entanto ficou marcado como uma lição: não precisamos torcer pelos mais fortes e os mais fortes nem sempre vão ganhar. Os “mais fracos” podem vencer e vão vencer, e vamos comemorar, como comemoramos o gol do Omam Biyik.
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