Neste sábado passei algumas horas no camelódromo. Fui até lá para prestar solidariedade à luta dos trabalhadores que buscam uma melhor solução em relação ao Shopping Popular. Fui recebido pela Andrea e pelo Paulista – da Associação do Camelódromo – e conversei com vários comerciantes.
Divulgo aqui um pouco de cada uma dessas conversas pois acredito que seja extremamente necessário esclarecermos ao conjunto da população a real situação do camelódromo e a opinião dos trabalhadores sobre o Shopping Popular.
Há 20 anos Débora trabalha no comércio, desde os tempos em que carregava o carrinho e montava a banca na Rua XV de Novembro, ao lado do Mercado Público. É favorável a uma reforma no camelódromo, mas acredita que o projeto do Shopping não resolverá o problema atual, pois a taxa de R$ 480,00 é muito alta para a grande maioria dos comerciantes. “Vivo há muito tempo no camelódromo, com este valor, vai ter muita gente que terá que voltar pra calçada”, afirma. Em relação ao orçamento de R$ 15 milhões para a construção do Shopping, Débora apresenta uma dúvida que certamente é a mesma de significativa parcela da população de Pelotas: “Por que não investem este dinheiro nas Escolas? E no Pronto-Socorro? E os Bairros? Por que não investem no Arco-Íris?”
Na foto: Adriana, Ivone, Andrea e Lucia
Lúcia também acha que o valor de R$ 480,00 é muito alto, e relembra que esta é a taxa básica, sem contar a energia elétrica, água e outros valores. “Nós estamos aqui há 13 anos, não somos contra a reforma, se precisar, nós pagamos a reforma. Se nos tirarem daqui, onde vamos trabalhar? Não tem emprego em Pelotas!”
Quando perguntado sobre o shopping Popular, Ricardo é direto: “Sou contra a privatização, não contra a reforma”. Afirma ainda que é necessário respeitar a democracia, pois os trabalhadores do atual camelódromo não foram ouvidos em nenhum momento na construção do projeto do Shopping. “Se este projeto sair do jeito que está, muita gente vai ficar desempregada, esse Shopping é pra grande empresário, não pra camelô”.
Jaqueline também é contra a privatização e se mostra preocupada com o futuro das 400 famílias que dependem do camelódromo para se sustentar. Afirma que por parte dos camelôs há a disposição de negociação, o que infelizmente não tem se verificado por parte da Prefeitura. Acredita que o papel da Prefeitura deveria ser de gerar empregos, e não o contrário. Quando perguntada sobre o que fazer em caso de implementação do projeto do Shopping da maneira como está, a resposta é angustiada: “Olha, nem me fala, não sei o que fazer, não sei o que será...”
Jaques está informado sobre o Shopping Popular, não se diz totalmente contrário ao projeto, o problema está na forma como está sendo executado, critica a falta de diálogo por parte da Prefeitura. Também apresenta disposição para pagar uma reforma no camelódromo e afirma: “Quando chegamos aqui há 13 anos, ficávamos na chuva, no barro, nós pagamos esta cobertura e várias outras reformas no camelódromo”.
Jaques ainda critica os valores e realiza comparações com outros camelódromos do país: “Em Porto Alegre, que é uma cidade com população muito maior, com muito mais empregos, a taxa mensal por banca é de R$ 500,00 e o camelódromo já está tomado por grandes empresários, em Pelotas será pior ainda!” Sobre matérias que foram apresentadas na imprensa de Pelotas em relação aos camelôs, Jaques deixa o seu recado: “Esse negócio que andam dizendo, que os camelôs estão ricos e só trabalham com mercadoria ilegal é pura mentira! Eu e muitos outros por aqui trabalhamos com mercadoria legal, temos micro-empresas registradas, pagamos impostos e tudo o que conquistamos foi com o suor do nosso trabalho!”
Por fim, conversei com a Jissel, que também é da turma que saiu da XV de Novembro e foi para o Camelódromo na popular Praça dos Enforcados. Tivemos uma rápida conversa, pois a banca estava movimentada. “Sou a favor de reforma no camelódromo, sempre que tem reformas, melhora. Paguei os estudos da minha filha com o meu trabalho aqui, estou aqui a 13 anos, nós fizemos este ponto ficar movimentado, e agora querem nos tirar daqui? Acho que tem que esclarecer a população mesmo, tem um monte de gente que compra aqui que acha que o Shopping será bom pra nós, desse jeito não vai ser bom!”
"Vários irmãos se recolhem e vão em frente. Vários também escravizam sua mente. Eu sei bem, quebro a corrente onde passo, e planto a minha semente. Gafanhotos nunca roubam de que tem. Predadores, senhores que mentem, esperem sentados, a rendição, nossa vitória não será por acidente." Stab, de Planet Hemp.
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domingo, 6 de fevereiro de 2011
Opinião sobre o Shopping (que era para ser) "Popular"
A instalação do Shopping Popular vem causando polêmica na cidade de Pelotas. Entendemos que se faz necessário realizar este debate de forma que possamos avançar em uma solução que seja positiva para o conjunto da população.
Problemas em relação ao trabalho informal tem raiz na falta de empregos formais. Embora as inúmeras propagandas e notícias de que o desemprego tem caído em todo o país, uma rápida observação na situação econômica de nossa cidade e região mostram o contrário. O desemprego obriga às pessoas que precisam sustentar a si e suas famílias a buscar alternativas, sendo que uma das mais importantes é o comércio informal.
O projeto do Shopping Popular afeta justamente este setor de trabalhadores. Segundo a Prefeitura, com a instalação do Shopping o espaço atual do camelódromo poderia ser reformado, organizado e ampliado, possibilitando que os camelôs que atualmente ficam no centro da cidade se instalem no Shopping.
Ora, até aqui, nenhuma voz se levantou contra estes pontos. A reforma, organização e ampliação são bem-vindas, tanto para os trabalhadores que já estão no camelódromo, quanto para os que estão no centro, bem como para os clientes do camelódromo.
O problema se verifica em outro ponto do projeto: a privatização do camelódromo. O shopping popular ficaria sob administração privada, de uma única empresa, e já foi informado que a taxa básica de uma banca de 4 metros quadrados será de R$ 480,00 mensais (ainda não inclusos água, energia elétrica e outras taxas).
Estes valores são completamente incompatíveis com a realidade da grande maioria dos comerciantes, que seriam excluídos do Shopping, aumentando as estatísticas de desemprego na cidade.
O projeto do Shopping Popular pode ser um excelente negócio para os grandes lojistas da cidade, para as empresas que realizarão a obra do novo camelódromo e as que administrarão o Shopping no futuro. Já do ponto de vista social, especialmente para as 400 famílias que atualmente dependem do camelódromo, o projeto é uma tragédia e em nossa opinião deve ser modificado.
A postura autoritária da prefeitura em nada tem ajudado na resolução do problema, só tem acirrado os ânimos a ponto de uma possibilidade de mediação que favoreça ao conjunto da sociedade ficar cada vez mais distante. O governo tem que cumprir o seu papel e governar a cidade, dialogar com os camelôs e buscar mediações.
Como sugestões poderia se pensar na manutenção da administração pública no novo camelódromo, ou até na administração coletiva por parte dos próprios pequenos comerciantes. O fato é que os trabalhadores devem ser respeitados.
O Prefeito Fetter Jr. impôs uma queda de braço: de um lado os grandes empresários e a própria prefeitura, do outro, os pequenos comerciantes. Não temos a menor dúvida de que o nosso lado é o dos pequenos, vamos com eles até o fim.
Problemas em relação ao trabalho informal tem raiz na falta de empregos formais. Embora as inúmeras propagandas e notícias de que o desemprego tem caído em todo o país, uma rápida observação na situação econômica de nossa cidade e região mostram o contrário. O desemprego obriga às pessoas que precisam sustentar a si e suas famílias a buscar alternativas, sendo que uma das mais importantes é o comércio informal.
O projeto do Shopping Popular afeta justamente este setor de trabalhadores. Segundo a Prefeitura, com a instalação do Shopping o espaço atual do camelódromo poderia ser reformado, organizado e ampliado, possibilitando que os camelôs que atualmente ficam no centro da cidade se instalem no Shopping.
Ora, até aqui, nenhuma voz se levantou contra estes pontos. A reforma, organização e ampliação são bem-vindas, tanto para os trabalhadores que já estão no camelódromo, quanto para os que estão no centro, bem como para os clientes do camelódromo.
O problema se verifica em outro ponto do projeto: a privatização do camelódromo. O shopping popular ficaria sob administração privada, de uma única empresa, e já foi informado que a taxa básica de uma banca de 4 metros quadrados será de R$ 480,00 mensais (ainda não inclusos água, energia elétrica e outras taxas).
Estes valores são completamente incompatíveis com a realidade da grande maioria dos comerciantes, que seriam excluídos do Shopping, aumentando as estatísticas de desemprego na cidade.
O projeto do Shopping Popular pode ser um excelente negócio para os grandes lojistas da cidade, para as empresas que realizarão a obra do novo camelódromo e as que administrarão o Shopping no futuro. Já do ponto de vista social, especialmente para as 400 famílias que atualmente dependem do camelódromo, o projeto é uma tragédia e em nossa opinião deve ser modificado.
A postura autoritária da prefeitura em nada tem ajudado na resolução do problema, só tem acirrado os ânimos a ponto de uma possibilidade de mediação que favoreça ao conjunto da sociedade ficar cada vez mais distante. O governo tem que cumprir o seu papel e governar a cidade, dialogar com os camelôs e buscar mediações.
Como sugestões poderia se pensar na manutenção da administração pública no novo camelódromo, ou até na administração coletiva por parte dos próprios pequenos comerciantes. O fato é que os trabalhadores devem ser respeitados.
O Prefeito Fetter Jr. impôs uma queda de braço: de um lado os grandes empresários e a própria prefeitura, do outro, os pequenos comerciantes. Não temos a menor dúvida de que o nosso lado é o dos pequenos, vamos com eles até o fim.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Sobre a luta dos vendedores ambulantes em Pelotas
Estive ontem acompanhando a votação do projeto do Shopping Popular na Câmara de Vereadores de Pelotas. O projeto foi apresentado pelo Prefeito Fetter Júnior (PP) e consiste de uma reforma no espaço destinado aos vendedores ambulantes, populares camelôs.
Segundo o Prefeito, o projeto tem até recursos já aprovados. Infelizmente, Fetter Júnior não realizou nenhuma discussão com os trabalhadores, que rejeitam a proposta, visto que esta repassa a administração do Shopping Popular para empresas e prevê a cobrança de uma taxa de R$ 480,00 mensais por cada banca.
Mobilizados desde a semana passada, os vendedores ambulantes lotaram o plenário da Câmara na segunda feira pela manhã, resistiram às manobras da base governista e realizaram a pressão necessária para que a Câmara não aprovasse o projeto.
Mesmo após a reforma administrativa em que acomodou diversos Partidos na base a aliada, o Prefeito não conseguiu vencer a mobilização dos Camelôs. A favor do Prefeito e contra os trabalhadores votaram os Vereadores Waldomiro Lima (PR), Eduardo Leite (PSDB), Idemar Barz (PTB) Mansur Macluf e Roger Ney (PP). Os cinco votos contrários à proposta foram de Zilda Bürkle e Adalim Medeiros (PMDB), Ivan Duarte, Beto da Z3 e Diaroni dos Santos (PT). Com cinco ausências e sem maioria na câmara, o projeto foi rejeitado.
Logo após a votação Fetter Jr. apressou-se em afirmar que o projeto será executado independentemente da votação na Câmara.
Se de fato o projeto for executado resta aos trabalhadores manterem as mobilizações e garantir o seu espaço no Shopping Popular, mesmo a contragosto da Prefeitura, que tem o claro objetivo de facilitar a vida dos grandes empresários ao executar um projeto que praticamente inviabiliza a atividade dos pequenos camelôs.
De nossa parte vamos continuar acompanhando e apoiando as mobilizações, até que a Prefeitura ouça, respeite e dê espaço aos vendedores ambulantes, para que estes possam continuar trabalhando e colaborando no sustento de suas famílias.
Segundo o Prefeito, o projeto tem até recursos já aprovados. Infelizmente, Fetter Júnior não realizou nenhuma discussão com os trabalhadores, que rejeitam a proposta, visto que esta repassa a administração do Shopping Popular para empresas e prevê a cobrança de uma taxa de R$ 480,00 mensais por cada banca.
Mobilizados desde a semana passada, os vendedores ambulantes lotaram o plenário da Câmara na segunda feira pela manhã, resistiram às manobras da base governista e realizaram a pressão necessária para que a Câmara não aprovasse o projeto.
Mesmo após a reforma administrativa em que acomodou diversos Partidos na base a aliada, o Prefeito não conseguiu vencer a mobilização dos Camelôs. A favor do Prefeito e contra os trabalhadores votaram os Vereadores Waldomiro Lima (PR), Eduardo Leite (PSDB), Idemar Barz (PTB) Mansur Macluf e Roger Ney (PP). Os cinco votos contrários à proposta foram de Zilda Bürkle e Adalim Medeiros (PMDB), Ivan Duarte, Beto da Z3 e Diaroni dos Santos (PT). Com cinco ausências e sem maioria na câmara, o projeto foi rejeitado.
Logo após a votação Fetter Jr. apressou-se em afirmar que o projeto será executado independentemente da votação na Câmara.
Se de fato o projeto for executado resta aos trabalhadores manterem as mobilizações e garantir o seu espaço no Shopping Popular, mesmo a contragosto da Prefeitura, que tem o claro objetivo de facilitar a vida dos grandes empresários ao executar um projeto que praticamente inviabiliza a atividade dos pequenos camelôs.
De nossa parte vamos continuar acompanhando e apoiando as mobilizações, até que a Prefeitura ouça, respeite e dê espaço aos vendedores ambulantes, para que estes possam continuar trabalhando e colaborando no sustento de suas famílias.
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