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quarta-feira, 30 de junho de 2010

Entrevista com Pedro Ruas

O que diferencia o PSOL dos demais partidos?
30/06/2010
Confira a entrevista que nosso pré-candidato ao governo do Rio Grande do Sul, vereador Pedro Ruas, concedeu ao jornal virtual Sul 21:


Entrevista: Rachel Dutra
O que diferencia o PSOL dos demais partidos de esquerda, que têm essências similares?

O PSOL não abre mão de ser socialista. Ser socialista, para nosso partido, não é uma estratégia, existe um projeto socialista. E cuidamos muito do método. Essa linha de ser absorvido pelo sistema é detestada pelo PSOL. Os partidos tradicionais, e infelizmente neste aspecto eu tenho que incluir o PT, acabam disputando o poder pelo poder. Não há coisa tão contraditória como essa busca do PT por aliança com o PTB, que aqui em Porto Alegre está envolvido nos escândalos da Secretaria Municipal de Saúde. Só no caso do Instituto Sollus, são quase 10 milhões desviados da Prefeitura de Porto Alegre. A empresa Reação tem várias irregularidades e tem todos os seus proprietários no Presídio Central acusados de homicídio do Secretário de Saúde. Então, a gente vê o PT procurando o PTB, o PMDB com o PDT. No plano nacional o PT e o PMDB juntos. Estes partidos não têm um programa de governo, eles tem um projeto de ganhar. E essas alianças esdrúxulas acabam tendo necessariamente o preço da repartição dos cargos. Ai é aquele horror que vemos por ai. Por que? Porque não há programa de governo. Tu não vês uma discussão sobre o plano de governo. Nós temos a pretensão de ter o melhor programa de governo desta eleição e isto não é difícil. O dinheiro público é sagrado. No nosso ponto de vista ele é intocável e todos aqueles que fugirem esta linha serão combatidos e por nós denunciados.

Qual o seu plano de governo?

Nós temos projetos para todas as áreas, mas dois eixos principais norteiam o nosso programa. O primeiro é a discussão quanto à dívida estadual. A dívida do RS consome 18% da receita líquida anual do RS. Em 2008 foram pagos R$ 2,638 bilhões de reais à União, dados da FEE e do Dieese. Este recurso, separadamente, é mais do que se gasta com segurança e saúde. E ai tem um problema sério na dívida: nenhum dos candidatos ao governo ou até mesmos os atuais governantes e antigos governantes sabem do que é composta a dívida. Essa divida é um mistério, ninguém sabe o que foi pago ou emprestado ao RS, quanto de multa tem ali. Eu garanto que ninguém sabe. Afirmo e explico. Há 20 anos esta dívida era de R$ 3,4 bilhões. Em 1998, quando o governador Antonio Britto fez o acordo, a dívida já era de R$ 13,8 bilhões. O ano passado ela já somava R$ 39 bilhões. Agora analisemos. Se em 2008 pagamos R$ 2,638 bilhões, a dívida já teria sido paga, mas essa dívida só aumenta. Tem alguma coisa errada. Então nós temos que ter uma auditoria para saber o que compõem essa dívida. Isso tem que ser levado à opinião pública, ai pode ter inclusive crime, responsabilidade pessoal.

A gente sabe que recentemente a governadora Yeda Crusius (PSDB) fez um empréstimo R$ 1,1 bilhão no exterior. O avalista é a União e essa dívida nem está incluída nos valores que mencionei antes, que já é outro absurdo. Então o primeiro eixo é isso. Combater essa dívida que para nós é irreal e fica sangrando o Estado todos os anos.

O segundo eixo é combater a corrupção. Tem estudos internacionais que dizem que nos países onde há corrupção, o prejuízo orçamentário é cerca de 30% do erário. Então, o combate permanente à corrupção, em qualquer escalão, em qualquer forma, em qualquer área, é imprescindível.

Nós temos propostas na área da educação que prioriza cumprir o piso nacional e que, para nossa vergonha, o governo atual está questionando junto ao Supremo Tribunal Federal. E nós defendemos também a escola de turno integral, nos conceitos de Darcy Ribeiro e Leonel Brizola. Esta proposta de ensino é mais cara, mas é uma escola que contempla todas as refeições, opções de atividades contra turno e reforço escolar, liberando os pais e ocupando pedagogicamente as crianças. E não há melhor investimento que este, pensando nos resultados de longo prazo.

Na área da saúde nós temos esse escândalo do caso Sollus, que está ligado a um dos programas essenciais para o acesso à saúde entre as comunidades mais pobres, o Programa de Saúde da Família (PSF). Nós vamos investir neste programa.
O ex-prefeito José Fogaça (PMDB) e a governadora Yeda Crusius (PSDB) foram denunciados por corrupção pelo senhor. Como será sua atuação em relação a eles, agora seus adversários nesta eleição?

Eu acho uma oportunidade excelente. No caso da Yeda, nós podemos questionar tudo que nós já denunciamos em 2009. E no caso do Fogaça, perguntar tudo que aconteceu no município e o fato de ele ter influenciado para impedir assinaturas visando a abertura de uma CPI no caso Sollus.

Então esse será o tom da campanha do PSOL?

Sim. Nós vamos questionar. Nós vamos questionar o PTB, vamos questionar o PT. A questão, por exemplo, do apoio à candidatura da Roseana Sarney. A oligarquia mais corrupta é a do Sarney no Maranhão e esta é apoiada pelo PT. Isso não está diretamente ligado ao candidato Tarso Genro, mas é o partido dele e isso é uma questão complexa. E os mensaleiros nós também vamos questionar. Como José Dirceu volta com toda essa pompa, uma pessoa envolvida em delitos? Então é claro que vamos questionar. Este será um momento importante.

Como avalia a visão dos eleitores diante dessa postura mais agressiva do PSOL nos debates?

Eleitoralmente eu não sei esta resposta. Mas, isso não é uma opção eleitoreira, é uma posição política. É a missão do PSOL. Claro que tem uma motivação ideológica que justifica o posicionamento político. Eu acredito inclusive que a escolha da executiva nacional do partido, ao sugerir meu nome para a candidatura ao governo do Estado, é em razão desse tom. Eu tenho formação jurídica e posso fazer esse confronto.

Como está sendo organizada a campanha do PSOL?

O PSOL é um partido organicamente pequeno, apesar de termos propostas grandes. Nós não temos recursos, então vamos fazer uma campanha conforme as nossas possibilidades. Nós temos aqui no RS um mandato federal que é da Luciana Genro e dois municipais, um em Porto Alegre e outro em Viamão. Nós temos o fundo partidário e não temos financiadores. Mas é possível fazer um bom trabalho. Vamos apostar numa boa propaganda eleitoral no rádio e na TV, e utilizaremos os militantes para a produção da campanha e na militância das ruas. Vou dar um exemplo meu para ilustrar isso. Há 12 anos, o Centro de Pesquisas do Correio Povo era muito preciso. Na primeira pesquisa, quando eu concorri ao Senado, tinha 0,6% e cheguei a 12% do eleitorado gaúcho ao final da campanha. Só dentro de Porto Alegre eu fiz mais de 12 mil votos. E o que eu usei para a campanha foi a propaganda eleitoral gratuita e a militância. Então se o trabalho for sério e focado, dá para conseguir atingir uma fatia boa do eleitorado. Eu não sei qual é o limite, podemos variar de 5% a 25%.

Qual a sua expectativa com o segundo turno, já que as últimas pesquisas mostram os demais candidatos com bastante vantagem em relação aos partidos menores, como o PSOL?

No PSOL não há o debate do segundo turno. Há o debate forte sobre o primeiro turno. Do ponto de vista de chegar à população, não há nada mais importante na política do que as eleições. Então tu tens que viver a eleição pensando no primeiro turno. Discutir o segundo turno não tem sentido. Prefiro pensar quantos vamos eleger na proporcional. Isso é vital. Temos que reeleger a Luciana Genro, podemos fazer mais um ou dois deputados federais. Nós não temos nenhum deputado na Assembleia e quase derrubamos a Yeda, só nos faltou o flagrante.

O acesso ao material que foi utilizado em suas denúncias foi por intermédio de Lair Ferst?

Não posso dizer. Mas o processo está andando. Nós tivemos acesso ao material, mas nunca tivemos posse. E nós só divulgamos porque morreu Marcelo Cavalcanti, nós iríamos aguardar para divulgar. Mas como ele morreu, nós entendemos que era nossa obrigação. O que não está andando é a conclusão do inquérito sobre a morte do Cavalcanti em Brasília, não se sabe a causa da morte ainda. Como pode, depois de um ano e meio?

E como estão esses processos no Rio Grande do Sul, hoje?

Aqui no RS o processo está assim: o Ministério Público Federal denunciou, na fraude do DETRAN, nove pessoas, entre elas a governadora Yeda e seu marido. Depois houve um recurso em relação à governadora, que é um recurso questionando a competência da justiça federal – para ajudar a governadora. Nesta tese quem seria competente para julgar a governadora seria o Superior Tribunal de Justiça. O Tribunal Federal de recursos acolheu esta tese, suspendeu o processo e excluiu o nome da governadora, no ano passado. O MPF, a partir daí, também recorreu e o recurso foi admitido. Então, tem duas hipóteses: ou ela é julgada pela justiça federal, como originalmente começou, ou pelo STJ, que é a tese do recurso dela. É bom esclarecer que em nenhum dos casos existe uma alegação de inocência, é uma questão de ver quem vai julgar ou não, e isso demora realmente. E com isso, os demais acusados são beneficiados no tempo, em função da demora da situação da governadora Yeda, porque não tem como ouvir uma testemunha que não possa falar sobre ela. Então para esclarecer isso tudo a campanha também servirá. Nós do PSOL não temos dúvida que a governadora não é inocente. E o MP também não tem dúvida, tanto que ele fez a denúncia e pediu o afastamento dela do cargo por improbidade administrativa.

Em relação a alianças, por que a esquerda não se uniu, já que há outros partidos com programas semelhantes?

Nós conversamos, mas as siglas tinham uma orientação nacional, assim como nós. Então respeitamos. Até porque seria contraditório respeitarmos a nossa e não respeitarmos a deles. Então nossa chapa será puro-sangue, só o PSOL. A própria escolha do vice também foi algo escolhido no diálogo e no respeito às correntes do partido, porque o PSOL historicamente tem muitas correntes. A mesma coisa para escolha da chapa proporcional. Mas apesar de respeitarmos isso, o mais importante não são as chapas e sim o programa de governo. Os eleitores não querem saber quem as nossas correntes querem, querem saber o que nós vamos fazer. E eles estão certos, as correntes são questões internas.


Fonte: pedroruaspsol.wordpress.com

quinta-feira, 10 de junho de 2010

A necessidade de um programa para a Zona Sul do RS

No início desta semana fomos convidados para participar do lançamento da campanha “Acorda Zona Sul”, organizada pela Associação dos Municípios da Zona Sul do Estado. O objetivo da campanha é convencer os eleitores da Região a votarem em candidatos daqui nas eleições de Outubro.

Fomos até lá, eu e o camarada Maicon Nachtigall, pré-candidato à Deputado Federal pelo PSOL, para observar a atividade e compreender melhor seus objetivos. Quando recebi o convite logo me questionei sobre a existência de um programa político para a ZS defendido pelos organizadores do evento.

Durante a atividade me pareceu nítido que o objetivo é exatamente eleger parlamentares vinculados às cidades da ZS, anulando o debate programático ou partidário. Os números de fato demonstram que a região tem uma sub-representação na Assembléia Legislativa e na Câmara Federal, nas eleições de 2006, um total de 600 mil eleitores elegeu apenas dois Deputados Estaduais.

O que não me parece possível e debater a necessidade de a região ter representação política e se desenvolver, sem relacionar este debate com a necessidade de um programa, afinal de conta há diversos projetos e possibilidades neste campo, muita delas completamente contraditórias.

Tenho absoluta certeza de que em um pequeno texto não seja possível esgotar o conjunto de necessidades da região, nem as possíveis propostas para a retomada do desenvolvimento da Zona Sul do RS. No entanto, tenho convicção de que os postulantes a cargos legislativos ou executivos têm a obrigação de apresentar suas idéias sobre o tema.

É neste sentido que o PSOL tem se debruçado no debate sobre a estagnação da Zona Sul do Estado. Nas eleições de 2008 em Pelotas apresentamos posição contundente contra a instalação da monocultura de eucalipto e das empresas de celulose na Região. Empresas estas que aos primeiros sinais da crise econômica mundial em 2008 abandonaram seus projetos na região, deixando apenas a monocultura instalada anteriormente e seus impactos ambientais e sociais, sem gerar um décimo das oportunidades de emprego prometidas.

Esta experiência deve nos fazer refletir sobre o modelo de desenvolvimento historicamente proposto pelos setores tradicionais e as suas claras limitações. Há muito tempo vende-se a idéia de que o desenvolvimento da região passa pela atração de grandes empresas, que vão gerar muitos empregos e resolver em definitivo o problema da estagnação.

Ora, nem precisamos de uma análise histórica muito profunda para perceber o fracasso desta linha de raciocínio. Além do exemplo das empresas de celulose temos nas últimas décadas o das indústrias de conserva. Tais indústrias geraram empregos durante uma etapa, tanto diretos, quanto indiretos, em especial na agricultura, que tinha grande parte de sua produção voltada para abastecer estas empresas. Quando a atividade deixou de ser rentável para os empresários, estes simplesmente migraram para outras regiões.

A saída para a região é justamente a diversificação de atividades econômicas, sem que tenhamos uma extrema dependência de um ou outro ramo da indústria ou empresário. Temos aqui inúmeras potencialidades a serem exploradas.

O fortalecimento da pequena agricultura, com o desenvolvimento de pequenas agroindústrias e do comércio local é um caminho inicial, tais atividades geram muito mais empregos do que a agricultura latifundiária e grandes empresas. É dever de um parlamentar da região cobrar dos governos políticas públicas que contemplem este tema. Incentivos fiscais para tais atividades e assistência técnica pública a partir de uma EMATER redimensionada são passos iniciais urgentes.

A realização de auditoria séria nas dívidas do Estado com a União e o combate implacável à corrupção permitiriam que o Estado realizasse um investimento pesado em serviços públicos essenciais como saúde e educação. Desta forma poderíamos caminhar no sentido de solucionar a situação caótica da saúde pública, que afeta a grande maioria da população, desprovida de plano de saúde ou possibilidade de consultas e procedimentos médicos particulares. Nesta mesma medida, estaríamos gerando empregos nas áreas médica e educacional, em que temos abundância de formação profissional na região.

O fortalecimento do potencial cultural da região é também uma ferramenta de desenvolvimento. Podemos citar os exemplos do Carnaval Pelotense e do Grupo Tholl, como referências sob este aspecto. Tais iniciativas alcançaram reconhecimento nacional e a partir do envolvimento da comunidade possibilitam a existência de perspectivas para um grande número de pessoas, por méritos daqueles que idealizaram e se esforçaram em sua construção. As iniciativas culturais consagradas da região devem ser tratadas com o seu devido respeito, e não como um mero palanque eleitoral, sendo apoiadas às vésperas de eleições.

Temos muito o que tratar sobre o programa e as possibilidades de desenvolvimento da Zona Sul do Estado. De nossa parte colocamos alguns pilares, que passam pela diversificação de atividades e pela necessária sustentabilidade econômica, social e ecológica das mesmas. O que não aceitamos é a mera disputa eleitoreira, sem programa ou comprometimento político com absolutamente nada, permitindo que o “estelionato eleitoral”corra solto e alegre.

terça-feira, 1 de junho de 2010

CARAS NOVAS. NOMES NOVOS OU VELHOS, MAS A POLÍTICA CONTINUA A MESMA

O Vereador Pelotense Eduardo Macluf do PP acaba de colocar seu nome à disposição do Partido para disputar a vaga de Vice-Governador na chapa de Yeda Crusius. Eduardo é parte da “nova geração” da política na cidade, filho de Mansur Macluf, que ocupou o cargo de Vereador em Pelotas por mais de 35 anos.

Há na cidade certo processo de renovação de figuras políticas, representado por jovens que ocupam cadeiras na Câmara de Vereadores e outros que se postulam como figuras públicas em seus Partidos.

O PSOL quer debater os rumos da renovação na política em Pelotas e na Região. Afinal de contas passamos por um profundo processo de estagnação econômica, e nos parece muito correto afirmar que tal estagnação é de responsabilidade de sucessivas políticas equivocadas, centradas na atração de grandes empresas como único modo para a retomada do desenvolvimento.

É neste sentido que compreendemos que a renovação política não deve ocorrer apenas a partir da idade menos avançada dos postulantes a cargos executivos ou legislativos. Necessitamos de uma renovação de idéias, projetos, métodos, para que possamos inverter o quadro de desemprego, violência e falta de perspectiva para o conjunto da população.

Sobre o tema da renovação temos um exemplo contundente em nível estadual, Yeda Crusisus elegeu-se em 2006 com o slogan “Um novo jeito de governar”. Durante três anos e meio, observamos o que há de mais velho na política: corte em investimentos sociais como saúde e educação para o pagamento de dívidas com a união e com os bancos, truculência com os movimentos sociais, bombásticos escândalos de corrupção, entre outros.

Ora, este “novo jeito de governar” não nos serve. O retrato da rejeição a este modelo está em todas as pesquisas de opinião, onde o Governo comandado pelo PSDB aparece com os piores índices de avaliação em toda a história do Rio Grande.

O PSOL foi voz forte na oposição ao Governo de Yeda Crusius. Efetuamos denúncias contundentes e organizamos mobilizações nas ruas. Durante este processo tivemos o privilégio de ter como um de nossos porta-vozes o Vereador de Porto Alegre Pedro Ruas, hoje nosso pré-candidato ao Governo do Estado.

Pedro Ruas tem mais de 50 anos de vida e mais de 30 anos de política, não é na idade que demonstra a renovação, é no projeto de um Rio Grande sem corrupção e sem privilégios para banqueiros, empresários e latifundiários, com emprego, saúde e distribuição de renda.

Concordamos com a idéia de renovar a política também em nossa cidade e em nossa região. Certamente, tal renovação não passa por postular cargos na chapa de Yeda Crusius, responsável pelo mais trágico Governo da história do Rio Grande do Sul.